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Saúde dos atletas é prioridade

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Mudança de data dos Jogos Olímpicos pode prejudicar esportistas de países mais afetados pelo vírus

 

Sophia Olegário (3º.sem)

 

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que tinham início previsto para 24 de julho deste ano, foram adiados. A previsão é de que eles aconteçam de 23 de julho a 8 de agosto de 2021, ainda sendo sediados na capital japonesa. Essa é a primeira vez em seus 124 anos que uma Olimpíada é adiada, embora tenham sido canceladas em 1916, 1940 e 1944, durante as duas guerras mundiais.

A medida foi tomada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) junto ao Comitê Organizador de Tóquio 2020, resguardando a saúde dos atletas e dos organizadores. Proporciona também o benefício de que qualquer dano que seja causado ao calendário esportivo internacional possa ser reduzido ao mínimo. Além disso, o adiamento fornece mais tempo para que seja concluído o processo de qualificação dos atletas.

O treinador de maratona olímpica Fernando Possenti comenta: “Um treinador planeja o auge da carreira do atleta para culminar com os Jogos. Uma vez que o treinador tenha que postergar isso, os danos podem ser grandes. Após a quarentena, será necessário ter mais controle sobre a carga de treinamento. Alguns atletas continuaram treinando, mas não dentro da especificidade da modalidade”. Na opinião do treinador, a chance de esses atletas estarem muito fora de forma é enorme, o que aumenta o risco de lesão. “É a última coisa que um esportista olímpico pode ter na reta final.”

Ainda de acordo com Possenti, que foi eleito o melhor treinador de 2018 pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o maior problema vivenciado agora no mundo competitivo é o fato de o desempenho não ter uma equidade. Ele comenta que atletas de países menos afetados pelo coronavírus podem ter mais chance de treinar e aumentar sua capacidade, enquanto outros atletas, devido ao isolamento social, necessitam interromper seus treinos por muitos meses.

A Olimpíada é a meta de todo um trabalho e de um esforço de quatro anos, e a mudança no cronograma dos Jogos de Tóquio está fazendo treinadores do mundo inteiro ajustarem seus planos. O termo competição-alvo é comumente usado no esporte de alto rendimento e significa que a preparação do atleta é feita para que ele esteja no ápice da sua capacidade de rendimento em um determinado campeonato. No caso dos Jogos Olímpicos, é mais do que a competição-alvo de apenas uma temporada.

Para os atletas não ficarem completamente parados, alguns deles têm se exercitado em casa, mesmo na falta do ambiente adequado. A esportista Rafaela Garcia, que pratica o nado sincronizado, lamenta que todo o trabalho que estava sendo feito desde dezembro do ano passado foi perdido, mas diz que está tentando treinar, mesmo dentro de casa. “Eu não tenho piscina em casa por isso não estou treinando dentro da água, mas nosso preparador e nossa técnica estão preparando treinos adequados para a gente manter a forma. Eu faço dois treinos por dia, que são bem adaptados para eu conseguir fazer em casa, e às vezes, a equipe combina um horário pra conversar, normalmente pelo zoom, só para não perder contato total.”

Além de uma rotina de treinos, é essencial que os esportistas mantenham uma boa saúde mental. Desde que o adiamento começou a ser discutido pela comissão, atletas e seus técnicos passam por momentos muito angustiantes de incerteza. Com isso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi disponibilizada aos atletas uma cartilha com algumas dicas para controlar o estresse e a ansiedade que podem acontecer diante dessa situação. As principais recomendações são para que os atletas estabeleçam uma rotina de treinos e limitem a quantidade de notícias consumidas diariamente.

O treinador de corredores de longa distância Jorge Luis da Silva conta que estava com uma viagem marcada para Madrid, para acompanhar seu atleta Daniel Chaves em uma corrida. Porém, foi preciso desistir da viagem, pois viu que a situação era pior do que o imaginado e poderia comprometer a saúde do esportista e de sua família. Os dois viveram dias de aflição, enquanto o futuro dos Jogos era incerto. “A notícia nos trouxe um alívio. Com a nova data, vamos ter tempo para nos cuidar, para depois voltarmos com foco total e retomar o ritmo de treino, após a quarentena, até as competições.”

A atleta Anna Veloso, da seleção brasileira de nado artístico, diz que apesar de estar tendo dificuldades para lidar com toda essa situação, achou prudente o adiamento do evento, já que como ela mesmo afirma, a saúde, tanto física quanto a mental, vem em primeiro lugar. “Durante a quarentena estou cuidando muito da minha saúde mental, que para mim é a coisa mais importante. Tenho refletido sobre minha vida e meus objetivos. Acho que é normal a gente mudar, tanto fisicamente quanto mentalmente, está sendo uma rotina totalmente diferente, mas o objetivo é se cuidar para conseguir voltar com foco total.”

“Acho que a decisão de adiamento dos Jogos foi prudente, pois não faz sentido manter um evento tão grande em meio ao caos que o mundo está vivendo. Nem mesmo os atletas conseguiriam se preparar e estar em sua melhor forma para competir com tudo que está acontecendo”, afirma Maria Bruno, nadadora artística. Independentemente dos danos, econômicos e sociais, causados pela mudança da data da Olimpíada, há um consenso de que essa foi a melhor opção.

Uma vez que os atletas e os treinadores estão se adaptando a essa realidade temporária, em meio aos treinos e as angústias, a surfista Silvana Lima, lembra também que a pandemia pela qual estamos passando vai além dos esportes, e que esse é um momento de reflexão. “Não sei quando isso vai acabar, está sendo um momento muito difícil. Essa é a hora de a gente se unir, amar o próximo e poder respeitar, de alguma forma, essas pessoas que estão tendo que trabalhar fora de casa, correndo risco de vida. Temos que orar e pensar positivo, para logo a gente se encontrar novamente.”

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