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Edição 17 - Covid-19 Plural Última Edição

Eventos adiados

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Para manter o distanciamento social, shows, festas e festivais foram postergados, muitos ainda sem previsão de data para acontecer

 

Julia Boarati, Luana Cataldi, Maria Luiza Baccarin (3º. sem)

 

A necessidade de manter o distanciamento social fez com que diversas atividades culturais ao longo do ano fossem canceladas ou adiadas, como shows, festas, festivais e até a Olimpíada. Em São Paulo, mais de 25 eventos de grande magnitude foram postergados, porém a maioria não teve novas datas divulgadas até o momento.

O Lollapalooza, porém, que aconteceria no primeiro fim de semana de abril, foi adiado para dezembro, o que decepcionou e até revoltou muitas das pessoas que pretendiam comparecer. Além disso, só os headliners do evento (Guns N’ Roses, Travis Scott e The Strokes) foram mantidos e diversas bandas e artistas serão substituídos, ou seja, as atrações mudaram praticamente por inteiro, frustrando alguns dos espectadores.

Luísa Monteiro, estudante de Desenho deAnimação na Belas Artes, disse que ficou muito triste com o adiamento do Lolla. “É o evento que eu mais espero no ano e este ano eu finalmente ia nos três dias”. Mesmo com a decepção, ela afirmou que pretende manter o ingresso, uma vez que ainda poderá assistir o festival mesmo no final do ano. Entre os shows que ela mais aguardava estavam Guns N´ Roses, Lana Del Rey e Travis Scott.

Mas não foram só eventos no Brasil que sofreram alterações e desapontaram fãs. Um exemplo disso é o festival Coachella, evento mais importante da música pop nos Estados Unidos, que acontece anualmente na Califórnia e foi um dos primeiros a anunciar seu adiamento. Representantes do festival anunciaram a decisão no dia 10 de março, que foi tomada a partir do esforço para a diminuição da contaminação. Em junho, porém, o evento foi cancelado.

Quando um evento é cancelado, por mais que o motivo seja plausível e extremamente necessário, os prejuízos podem ser enormes tanto para produtores e músicos, quanto para o público. Mesmo com o reembolso integral do valor do ingresso do show da cantora Billie Eilish, que aconteceria no dia 31 de maio no Allianz Parque, em São Paulo, Leticia Rodrigues conta que o cancelamento do evento, além de uma grande decepção, gerou prejuízos: “Eu já tinha comprado passagem e reservado hotel. Mesmo com o reembolso do ingresso, esse outro dinheiro não vai voltar. Meu voo de Minas para São Paulo não foi cancelado, então vou perder esta passagem já que não terá mais show”.

O jornalista José Norberto Flesch, do jornal Destak, conhecido como o “cara que anuncia shows”, diz que, no início, havia uma grande “choradeira” por parte do público cada vez que um show era adiado, mas agora essa mudança de data é esperada. Ele ainda conta que, antes da vacina, não será possível que tudo volte ao normal, pois os eventos terão que ter uma capacidade reduzida e será exigido que as pessoas mostrem um teste negativo para coronavírus e usem máscara.

“A pandemia derrubou a indústria da música ao vivo com público, mas o mercado descobriu que lives podem ser um bom negócio. Só que produtoras e empresas que vendem ingressos passam por uma enorme crise por falta de atividade. São inúmeros funcionários que dependem do show business ativo para ter seu ganha-pão. A torcida é para que, na reabertura, ninguém tenha quebrado”, declara Flesch sobre os impactos sofridos na indústria da música.

Bandas em ascensão também sofreram com a pandemia da Covid-19, como é o caso da Blue Traffic, que tinha dois shows marcados para a divulgação de um EP antes de o isolamento social ser determinado. “Basicamente, a gente teve que mudar o nosso foco de divulgar esses shows para só divulgar o EP”, disse Daniel Ferreira, baixista da banda.

Em relação ao futuro dos shows, Maria Carani, baterista da banda, acredita que “em um primeiro momento, num show com mil pessoas, a pessoa pode não querer ir, mas é questão de tempo para ela voltar”. Para o vocalista Christian Meyer, as lives não continuarão quando a situação se normalizar, mas sem dúvida permanecerão como um marco nesse momento de crise.

Outro setor cultural que sofreu com o início da pandemia foi o dos concertos. A Sala São Paulo, por exemplo, teve suas atividades suspensas no dia 14 de março. “Estamos empregando todos os esforços para que as apresentações aconteçam a partir do momento em que as medidas de isolamento social não forem mais necessárias”, afirma a assessoria de imprensa da Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

A Osesp ainda declara que “certamente a organização de eventos, bem como todas as atividades do mercado de bens e serviços, e até as relações humanas, carregarão mudanças em seus processos após a pandemia”. Além disso, diz que o público foi muito compreensivo e que frequentemente manda mensagens de apoio pelas redes sociais.

Comparado com outros países, a pandemia demorou para ser reconhecida oficialmente no Brasil. Ainda assim, desde o anúncio do início da quarentena, representantes da Atlética ESPM resolveram adiar a Sleepover, uma das maiores festas do meio universitário. O evento acontece semestralmente, e a primeira edição deste ano contaria com 24 horas de festa. “Nós tínhamos vários países como exemplo e sabíamos que a situação do Brasil iria piorar. O que mais importava no momento era a segurança das pessoas, então decidimos anunciar o adiamento de março para setembro, desde o começo”, diz Letícia Prado, gestora de eventos da Atlética ESPM.

Alguns países da Europa já estão saindo da quarentena depois de quase quatro meses, como Itália, Bélgica, Holanda e Alemanha. Pensando nisso, talvez seja seguro acreditar que o pior está perto do fim no Brasil e os shows e eventos que foram adiados para o segundo semestre de 2020 realmente aconteçam sem maiores problemas, mesmo que ainda contem com medidas de prevenção, mas agora temos apenas que ter paciência e esperar o que vem pela frente.

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