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Marcelo Bechler: O repórter que prevê as transferências

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Gabriel Beting (2º semestre)

O jornalista Marcelo Bechler ganhou destaque mundial, em 2017, quando noticiou com exclusividade que Neymar estava de saída do Barcelona para o Paris Saint-Germain. Agora, o repórter, que é correspondente do Esporte Interativo e da Rádio Itatiaia, na Europa, informou, em primeira mão, que Messi buscava deixar o Barcelona à procura de um novo clube. Como Marcelo conseguiu noticiar com exclusividade duas das maiores notícias do mundo esportivo?

Leia a entrevista:

Como é o seu processo de pesquisa e verificação das fontes?

O processo de pesquisa e verificação das fontes pode ser muito complicado. O caso do Messi, por exemplo, é muito fechado. O staff do jogador não me respondeu, teve gente do clube que negou a informação, mas, como a fonte era muito bem relacionada com o Messi, eu não acho que a pessoa me passaria informações falsas. Também imaginei que havia um interesse da fonte que a informação fosse “vazada” para a imprensa. O ideal é sempre ter alguém para confirmar a informação, mas, nem sempre é possível. Muitas vezes, temos que apenas confiar na fonte e ler nas entrelinhas sua motivação em espalhar a notícia, mas, cada caso é um caso.

 

Como você lida com a pressão de ser o primeiro a transmitir alguma notícia e ao mesmo tempo garantir a qualidade e veracidade da informação?

Na questão de lidar com a pressão, nós sabemos o que estamos fazendo e o poder do que estamos transmitindo. Quando vazamos a notícia da transferência do Neymar, muitos não acreditaram porque não tínhamos uma reputação estabelecida. Com a transmissão de mais notícias de transferências confiáveis, construímos uma reputação e credibilidade. Mas, não podemos nos deixar levar pela maré, tem muita pressão nas redes sociais e de próprios colegas quando aparecemos em programas. A notícia em si já é suficiente. Não é preciso supor coisas ou ir mais longe com a notícia já confirmada. Senão, podem ser repassadas informações que não existem.

 

Você já deu algum “furo” errado? Como você evita que isso aconteça?

Talvez já tenha dado uma “barrigada”. Por exemplo, na temporada passada, a gente tinha a informação de que o pai e os advogados do Neymar estavam negociando a sua volta ao Barcelona e nós demos a notícia de que um acerto estava próximo. Mas não foi exatamente o que aconteceu. A informação estava meio certa, porque os advogados do Neymar realmente foram a Barcelona, mas o acordo não estava tão próximo. A gente tem que conviver com o erro. Admitir que errou, pedir desculpas para o público, tirar algum ensinamento do erro e trabalhar melhor na próxima vez.

 

Como estamos rodeados de “fake news”, você se sente ainda mais responsável em transmitir informações confiáveis ao público?

Como estamos rodeados de fake news, temos o problema de que qualquer notícia parece verdadeira. Mas, eu acho que isso só valoriza o nosso trabalho pois, se tem muita gente dando informação falsa e fazemos poucas coisas bem, o público vai acreditar que aquilo que você faz tem credibilidade. As fake news vão acabar fazendo bem para os jornalistas. Os bons serão mais reconhecidos pois, o público ficará cansado de consumir notícias falsas.

 

Você já foi cobrado ou até hostilizado por algum torcedor por conta de um “furo”? Você se preocupa com a reação do público ao noticiar algo?

Tem gente que manda mensagem xingando e desmerecendo o trabalho. Mas não entendo muito isso porque não estamos dando opiniões impopulares, estamos dando informação. As notícias de transferências são apenas informação. Por exemplo, eu torço para o Barcelona e vim pra Barcelona por causa do Messi. Eu jamais gostaria que ele saísse e eu dando a informação ou não, ele vai sair do clube de qualquer jeito, não tem nada a ver comigo. Se as pessoas mandam mensagens negativas, isso não me incomoda e o número de mensagens positivas que eu recebo é muito maior. Se a notícia do Messi acabasse sendo desmentida pelo jogador, isso realmente me afetaria muito e teria que reconstruir minha reputação inteira. As mensagens negativas acabam sendo exceções e dá para entender que na internet, tem gente que se preste a isso.

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