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Setembro amarelo: vamos falar sobre suicídio

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Wenderson Matheus (4º semestre)

O mês de setembro tem uma campanha dedicada para prevenção ao suicídio, chamada Setembro Amarelo, uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. O tema da campanha, neste ano, é “agir salva vidas”. Amanhã, 10 de setembro, é o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. A data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde para ter a atenção de organizações governamentais e voluntárias, mostrando a importância do assunto para o mundo.

O CVV é pioneiro quando o assunto é suicídio no Brasil. A instituição começou a atuar em 1962 e hoje contam com 3 mil voluntários, que atendem cerca de 10 mil ligações por dia. Segundo a entidade, no Brasil 32 pessoas tiram suas vidas por dia, sendo uma morte a cada 45 minutos. O CVV aponta também que a cada suicídio 20 pessoas são impactadas diretamente.

Ainda conforme dados do CVV, no Brasil, o número de suicídios registrados a cada ano é de 13 mil e no mundo registra-se cerca de 1 milhão. Aproximadamente 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. O primeiro é a depressão, seguida pelo transtorno bipolar e abuso de drogas. Suicídio é terceira principal causa de morte no Brasil, no mundo é a segunda, sendo que 79% dos suicídios mundiais ocorrem em países de média e baixa renda.

O tema foi considerado um tabu durante as décadas de 1980 e 1990, período em que foi reforçada a ideia de não se poderia falar no assunto porque isso poderia levar muitos jovens a cometer o ato. No entanto, depois de vários estudos, a Organização Mundial de Saúde ressalta que podemos e devemos conversar sobre o suicídio.  “A abordagem de um grupo formado pelo senso comum precisaria, em primeira instância, do estudo aprofundado das causas do suicídio na população-alvo (os brasileiros). É impossível o toque acolhedor sem antes conhecermos o que nos aflige. Devemos lidar com nosso discurso de forma cautelosa, buscando tratar o tema com o respeito devido. Recomendado seria (mesmo com um grupo composto de não-especialistas) a busca por um profissional, capaz de auxiliar na campanha”, explica Gabriel Canaver, aluno do 7° semestre de psicologia da Uninove.

Há mais de 15 anos, José Manoel Bertolote e Alexandra Fleischmann publicaram um estudo na “World Psychiatry”, da Associação Mundial de Psiquiatria, sendo citado ainda hoje por diversos especialistas no assunto. Os dados desse estudo mostram que 15 mil pessoas se mataram em todo o mundo, entre os anos 1959 até 2001. Depressão é o principal motivo do suicídio, tendo 35,8%, já o uso abusivo do álcool, cigarro e drogas ilícitas ficaram em segundo lugar.

Segundo o estudo do National Institute of Mental Health, o álcool e a cocaína são as substâncias que podem aumentar as tentativas de suicídio. Pacientes que usam essas substâncias têm a possibilidade aumentada em 39% de querer se matar do que uma pessoa que não faz o uso. Álcool não apresentou relação com o aumento de tentativas de suicídio, mas a cocaína teve um aumento significativo. A ideação suicida deve ser acompanhada de perto por profissionais, sendo a única maneira de não piorar a situação dos pacientes. “Segundo um estudo recente do Departamento de Psiquiatria da EPM/Unifesp, o uso de drogas e os pensamentos suicidas/depressivos formam uma linha direta, com o abuso de substâncias diretamente ligado a maiores riscos de pensamentos e tentativas suicidas. Além da prevenção psicológica, é necessário instruí-lo da forma menos invasiva possível sobre os riscos do uso de drogas”, ressalta Gabriel sobre o uso dessas substâncias.

Existem maneiras certas de ajudar pessoas que estão passando por esse tipo de problema, como:

  • Compreender os pensamentos da pessoa: a pessoa não faz isso para chamar atenção, ela está confusa e desesperançosa.
  • Lembre essa pessoa que você está com ela: fale para essa pessoa que ela pode contar com você e que há esperança.
  • Tente resgatar momentos bons, momentos que vocês passaram juntos e coisas que essa pessoa gosta.
  • Não deixe a pessoa sozinha: acione as demais pessoas da rede dela e procure um serviço de saúde mental.
  • Remova todos os objetos: objetos que possam ser utilizados na tentativa de suicídio.

Vale também ressaltar alguns mitos sobre o suicídio:

  • “Quem fala não faz”: pessoas que falam em se matar, não querem “chamar atenção” e sim dar sinal para pedir ajuda. Especialistas recomendam que avisos de suicídio sejam levados a sério.
  • “Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar”: se a pessoa estiver com sintomas de depressão, conversar, procurar entender o que se passa, pode ajudá-la. Não falar sobre isso, pode piorar a situação.
  • “Falar sobre o suicídio incentiva mais pessoas a se matar”: falar sobre o assunto gera conhecimento a todos, muitas pessoas podem ter familiares e amigos idealizando o suicídio, com conhecimento básico, e a informação pode ajudar e recomendar um especialista.
  • “Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre”: pacientes levam a sério o tratamento com medicamento e terapia. Muito deles não tentam se matar pela segunda vez.
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