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Santuário de Schoenstatt: a fé que floresce no concreto da Vila Mariana

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Thiago Fernandes (2° semestre)

Em meio aos prédios altos e à correria da Vila Mariana, há um espaço que parece escapar do ritmo acelerado de São Paulo.
Entre o barulho do trânsito e o vai e vem das pessoas, um portão simples na rua Dr. Diogo de Faria, número 251, conduz a um refúgio de paz e espiritualidade: o Santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt.
Coberto por heras e cercado por jardins, o pequeno templo católico convida o visitante a desacelerar e respirar, um respiro de silêncio no coração urbano da capital paulista.

O movimento de Schoenstatt nasceu em 1914, na cidade de Vallendar, na Alemanha, fundado pelo padre José Kentenich. Seu propósito era renovar a fé católica a partir da vida cotidiana, da formação espiritual e da devoção à Virgem Maria, chamada pelos fiéis de Mãe e Rainha Três Vezes Admirável.
Inspirado na pedagogia mariana  e na ideia de aliança com Deus, o movimento se espalhou por diversos países e chegou ao Brasil na década de 1950, crescendo especialmente entre famílias e comunidades de base.

Em São Paulo, o Santuário da Vila Mariana foi inaugurado em 8 de julho de 1970, sendo o primeiro templo do movimento na cidade. Desde então, o local é mantido pela Família de Schoenstatt, que organiza missas, retiros, peregrinações e atividades comunitárias.
Mais do que um ponto de fé, o espaço representa o equilíbrio entre o sagrado e o cotidiano, uma das bases do pensamento do padre Kentenich, cuja estátua se encontra no jardim do santuário, entre flores e folhagens.

A fachada do pequeno templo chama atenção de quem passa pela rua. Suas paredes brancas cobertas de heras verdes contrastam com os prédios modernos que a cercam, criando um cenário quase simbólico: a espiritualidade resistindo em meio ao concreto.
No alto, uma cruz discreta marca o topo da capela. Ao lado, uma placa de madeira indica o nome completo do lugar, convidando quem passa a conhecer um dos recantos religiosos mais acolhedores da região.

Ao atravessar a porta de madeira, o visitante é recebido por uma luz suave que entra pelos vitrais coloridos.
O interior do santuário é pequeno, mas repleto de significado. No centro do altar, a imagem da Mãe Rainha com o Menino Jesus nos braços é o ponto de atenção e devoção. Cercada por velas acesas, flores e elementos dourados, ela transmite um olhar sereno e compassivo.
Nas laterais, esculturas de anjos e santos completam a atmosfera íntima e silenciosa.
Cada detalhe, dos bancos de madeira às orquídeas que adornam o altar, foi pensado para criar um ambiente de recolhimento e fé.

Do lado de fora, o jardim é um espaço de contemplação.
A imagem de São José, rodeada por flores amarelas, e a do Padre Kentenich, cercada por plantas tropicais, refletem a harmonia entre natureza e espiritualidade, um dos princípios do movimento de Schoenstatt.
Na parede lateral, o símbolo dourado do movimento, representando a capelinha centralizada por raios, reforça a ideia de que Maria é o coração que irradia luz sobre a comunidade.

Aos finais de semana, o espaço ganha vida com a presença de fiéis, famílias e visitantes.
Muitos participam das missas e celebrações, outros entram apenas para um momento de silêncio.
Alguns chegam por curiosidade e descobrem um ambiente de paz que contrasta com o ritmo da cidade.
Entre o canto dos pássaros e o som distante das ruas, o santuário se torna um lembrete de que ainda existem lugares onde o espiritual encontra abrigo no meio do urbano.

Mais do que um templo religioso, o Santuário de Schoenstatt da Vila Mariana é um símbolo de resistência da fé, um espaço de pausa e reconexão.
Em uma cidade onde tudo é pressa e barulho, ele permanece como um convite à calma, ao silêncio e à espiritualidade simples, aquela que floresce, discretamente, entre prédios e heras.

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