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Lewis Hamilton – reescrevendo a história da Fórmula 1

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André Alonso, Marcelo Baroni, Enrico Sanchez, Rodrigo Teixeira e Gustavo Lentini

Lewis Carl Davidson Hamilton, piloto inglês de fórmula 1, começou sua carreira em 2007. No ano seguinte já conquistou seu primeiro título, logo em sua segunda temporada na F1, mostrando que realmente chegaria para ficar marcado na história. Atualmente, Hamilton tem 6 títulos mundiais, e caminha a passos largos para o sétimo. Seu nome ficou ainda maior na história da Fórmula 1 após quebrar o recorde de Michael Schumacher, que possuía 91 vitórias, chegando a impressionante marca de 92 vitórias (no momento que este texto está sendo escrito, Hamilton acabou de vencer o Grande Prêmio de Ímola, aumentando sua marca para 93). No momento em que o livros dos recordes é reescrito, vamos analisar toda a trajetória do piloto que caminha para se tornar um dos maiores da história.

Lewis Hamilton estreou na Fórmula 1 em 2007, já na equipe multicampeã McLaren. No ano seguinte, conquistou seu primeiro título, em uma das disputas mais acirradas da história do esporte. Esse título traz memórias tristes para nós brasileiros, pois a disputa era com o piloto brasileiro Felipe Massa. A briga pela conquista estava pau a pau, e foi levada para o último GP, o do Brasil, em interlagos. O cenário era o seguinte: para que Felipe fosse campeão, ele teria que ganhar a corrida, e Hamilton teria que terminar pelo ao menos em sexto. Faltando 5 voltas para o final, Hamilton era o quinto e Massa liderava. Como começou a chover, os pneus tiveram de ser trocados, e todos acataram a essa opção, menos um piloto: Timo Glock. Passada esta volta, faltando apenas 4, Vettel ultrapassa Hamilton, fazendo assim o cenário perfeito para Felipe. O brasil inteiro comemorava o feito, o Brasil seria campeão na fórmula 1 depois de tanto tempo, desde o tri de Senna que nós não nos víamos este título. Massa cruzou a chegada, venceu a prova. No momento era o campeão. A festa estava feita, Hamilton continuava atrás de Vettel. Porém, quando contornavam a última curva, um carro aparece patinando na pista, instável. O único do grid que não havia trocado para os pneus de chuva: Timo Glock. Vettel o passou e logo após, Hamilton. O título escapava das mãos brasileiras, e foi parar nas mãos britânicas. Em apenas seu segundo ano de Fórmula 1, Hamilton era campeão mundial, em uma conquista histórica.

Hamilton na McLaren, em sua primeira equipe – Foto: Reprodução

Após a conquista, Hamilton permaneceu na McLaren até o ano de 2012. Nesse meio tempo, não conquistou nenhum título, porém continuava tendo boas atuações e vitórias. Nesta época, via outro piloto assumir o protagonismo: Sebastian Vettel, o alemão que dominou o esporte, ganhando por 4 anos seguidos, na também dominante equipe da Red Bull. Lewis encerrou seu ciclo na McLaren, e em 2013, foi contratado pela Mercedes, ocupando a vaga de ninguém menos que Michael Schumacher, que havia retornado em 2010 a F1, após se aposentar em 2006. Hoje em dia, podemos ver que neste ano o bastão foi passado. Schumacher se despede, deixando o seu legado, e seus recordes a serem batidos.

No ano de 2014, o domínio da Mercedes começa. No primeiro ano da era V6, a equipe alemã mostra que já vinha se preparando muito para essa nova época, e apresenta um excelente carro. E excelentes carros são guiados por excelentes pilotos: Hamilton e Rosberg formam a dupla. Já nessa primeira temporada, o domínio era claro. Nico e Lewis disputaram o campeonato do início ao fim. Porém, brilhou mais alto a estrela de quem iria reescrever a história da Fórmula 1. O inglês superou o alemão e se tornou bicampeão. Na temporada seguinte, o cenário foi muito semelhante, com novamente os dois companheiros brigando pelo título. Hamilton novamente superou Rosberg, e conquistou seu terceiro título, igualando a marca de seu maior ídolo, Ayrton Senna. Nessa mesma temporada, igualou outra marca impressionante de Senna: o seu número de vitórias. No GP do Japão, chegou à marca de 41.

Hamilton chora ao lado de capacete de Senna. Foto: Reprodução

No ano de 2016, Rosberg finalmente superou seu companheiro, e conquistou o título. A realização foi tamanha, que ele anunciou sua aposentadoria ao fim da temporada, alegando que cumpriu o seu grande sonho, que era ser campeão mundial na Fórmula 1. Com isso, se encerrava uma grande rivalidade. No ano seguinte, o finlandês Valtteri Bottas veio para ser a sua dupla. Apesar de ser um bom piloto, não foi capaz de fazer frente à Hamilton, que daí para a frente conquistou todas as temporadas. A disparidade entre os dois era tanta que outros pilotos de outras equipes começaram a disputar os títulos com Lewis. Nesse mesmo ano, o alemão Sebastian Vettel, da Ferrari, foi o segundo no campeonato, e Valtteri ficou em terceiro. Nesse mesmo ano, Hamilton quebrou ultrapassou outra impressionante marca de Ayrton Senna. Chegou a 65 poles – positions, no GP do Canadá, igualando a marca, e a ultrapassou no GP de Baku, no Azerbaijão, chegando à 66 poles. Pouco depois, ele quebrou o recorde geral, ultrapassando a marca de Schumacher, que possuía 68. Igualou no GP da Bélgica, e logo na sequência ultrapassou, no Grande Prêmio da Itália. No fim do ano, Hamilton se sagrou tetra.

Os anos seguintes continuaram com o protagonismo do inglês. 2018 foi talvez o ano mais acirrado na disputa com as Ferraris. Vettel chegou a liderar o campeonato durante um bom tempo. Em certo momento, até se questionava se as Ferraris não estavam melhores do que as Mercedes. Porém, com o passar das corridas, Hamilton voltou a assumir o topo da tabela. Em um ano que também contou com a sorte, com constantes problemas das Ferraris, e erros de Vettel, como no GP da Alemanha, um dos mais memoráveis. O alemão liderava a prova, que era realizada embaixo de um temporal, e o campeonato. Neste dia, Lewis havia largado em 14°, e fazia uma corrida de recuperação. Ele nunca imaginaria que Vettel cometeria um erro primário, perdendo o controle do carro sozinho, deixando com que ele escapasse, batesse no muro e ficasse preso na brita. Após este feito, Vettel abandonou a prova, e Hamilton assumiu a liderança da corrida, e ao final dela, a do campeonato, com 17 pontos de vantagem. Desde esse momento em que assumiu a ponta, não a largou mais. Hamilton se tornou pentacampeão de Fórmula 1, igualando mais uma impressionante marca, a de Juan Manuel Fangio, argentino que por muito tempo foi o maior campeão de F1 da história. Schumacher quebrou este recorde, e Lewis estava prestes a quebrar também.

O ano de 2019 mostrou uma nova geração de pilotos promissores na F1. O holandês Max Verstappen (que já vinha sendo destaque desde 2017) e o monegasco Charles Leclerc buscavam o protagonismo da competição. Novamente em um ano que a Ferrari se mostrava muito competitiva, capaz de fazer frente às Mercedes. Porém, não demorou muito para que Hamilton tomasse conta do campeonato novamente. Um ano que parecia se complicar no começo, se tornou muito mais simples do que se imaginava. Depois de 2 temporadas seguidas, a dupla da Mercedes fez a dobradinha do campeonato, com Bottas finalmente em segundo, sua melhor colocação até então. Com a conquista deste título, Hamilton atingia um patamar único, explorado apenas por ele e Schumacher. Chegava ao seu sexto título de Fórmula 1. E agora, ficava apenas a um passo de se igualar ao maior da história.

Hamilton joga a taça para o ar. Foto: Reprodução

Chegamos à atualidade, o ano de 2020. Em um ano totalmente atípico, graças ao momento trágico de uma pandemia que ainda vivemos, Lewis já começa a temporada com recordes a sua vista. Os dois máximos de Michael Schumacher, as vitórias (91) e os títulos (7). Neste ano, Hamilton lidera o campeonato com um enorme folga. O único que ainda pode ameaçá-lo é o companheiro de equipe, que não vive uma boa fase. Lewis, porém, vive talvez a melhor fase da sua vida. De 13 corridas, venceu 9, e fez a pole em 9. Como dito anteriormente, caminha a passos largos para o sétimo título. Esse é um recorde que será quebrado. O outro, já foi. No GP de Hockenheim, na Alemanha, casa de Schumacher, igualou sua marca. Na corrida seguinte, no GP de Portimão, em Portugal, atingiu sua nonagésima segunda vitória. 92 vitórias. Um número inimaginável. Ultrapassou o recorde máximo de Schumi, e se tornou o maior vencedor de GPs da história da F1. Não contente com isso, ainda aumentou sua marca para 93, com a vitória no fim de semana no GP de Ímola. E de quebra, ainda trouxe o título mundial de construtores para a Mercedes, juntamente com Bottas, que novamente fizeram a dobradinha. Com esse título, outro recorde (mais um) foi quebrado. A Mercedes chegou a 7 títulos consecutivos, quebrando a marca da Ferrari, conquistada justamente na época de Schumacher.

O campeonato ainda não está matematicamente definido, porém só um catástrofe o tiraria das mãos de Hamilton. Provavelmente ele igualará a marca de Schumacher, e terá mais alguns anos para tentar ultrapassá-la. Apesar de ainda não ter fechado o contrato, Lewis provavelmente continuará na Mercedes ano que vem. Ou seja, terá mais alguns anos e um carro de ponta para igualar o feito. A esta altura, será que ainda é um absurdo compará-lo com as lendas do esporte, como seu maior ídolo Ayrton Senna, e Michael Schumacher? Para responder isso, conversamos com o jornalista Rodrigo Borges, especialista em automobilismo, que atualmente é gerente de canais da Red Bull.

Hamilton abre a champagne após
vitória. Foto: Reprodução

“Eu acho que o Hamilton, embora ainda em atividade e seja mais prudente esperar ele se aposentar, já está nessa briga, nessa discussão, porque o que você ou qualquer outra pessoa pode dizer para desmerecer o recordista de vitórias da história da Fórmula 1? Que será o recordista de títulos ao fim deste ano empatado com Schumacher, e se ele ficar na Fórmula 1 ano que vem existe uma chance imensa deve ser isoladamente o maior campeão de todos os tempos. Então sim, ele está nessa conversa sobre o melhor da história e obviamente sobre o top 3”

Com todos esses feitos, Lewis caminha para entrar para sempre para história da Fórmula 1, como o maior recordista de todos os tempos, e como um dos maiores pilotos que já correram. De fato, ele está reescrevendo os livros da história da competição, e ao mesmo tempo está escrevendo lindos capítulos de sua própria história.

 

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