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Jornalista lança 2ª edição de livro sobre homofobia no futebol

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Gabriel Beting (2º semestre)

Homofobia no futebol brasileiro sempre foi um assunto polêmico. Buscando jogar luz ao assunto e problematizá-lo, a segunda edição da obra “Bicha!: homofobia estrutural no futebol” foi recentemente lançada pelo jornalista João Abel. Trata-se de um livro-reportagem que tem a  sexualidade no esporte como seu tema principal. Através de diferentes contos, desde um time de homens transsexuais, fundado em 2017, no Brasil, até o primeiro jogador assumidamente gay nos anos 90, na Inglaterra, o tema da LGBTfobia no futebol é discutido de diversos pontos de vista. Ao Portal de Jornalismo da ESPM-SP, João Abel contou um pouco sobre o livro e o que pensa sobre o tema.

 

Portal de Jornalismo: Qual foi a sua principal inspiração para escrever o livro?
João Abel: A inspiração veio da minha vivência no futebol, na arquibancada e do contato com as questões sociais do esporte. Depois de entrar na faculdade, entrei para o coletivo Contra-Ataque, da PUC, e, em 2017, acabei fazendo uma reportagem sobre o primeiro  time de futebol de homens transsexuais do Brasil. Logo, percebi que havia uma lacuna de assuntos relacionados à sexualidade no esporte. As pessoas falavam sobre racismo e machismo no futebol, mas os LGBTs eram sempre escanteados. Na verdade, o livro surgiu a partir do meu TCC, e eu não tinha o objetivo de publicar. Surgiu um convite e acabei publicando.

PJ: Houve um desafio maior, na escrita do livro, por se tratar de um assunto tabu?
JA: Por ser um assunto tabu, teve uma certa dificuldade. Mas como eu escrevi como TCC e no ambiente mais aberto da faculdade, isso facilitou bastante. Felizmente, como o assunto é mais discutido, não tive muita dificuldade em achar fontes. O maior desafio foi conectar histórias de épocas diferentes, de torcidas LGBTs dos anos 70 até jogadores na ativa atualmente, em um só assunto que é a homofobia no futebol.


PJ: Como você escolheu o título do livro? Você pensava na reação que poderia ter?
JA:O título é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em homofobia no futebol. Os gritos homofóbicos nos estádios. Hoje em dia, muitas torcidas baniram esses gritos, mas eles ainda estão presentes nesses ambientes. É um título forte. Há também uma ideia mais específica baseada nos movimentos progressistas que se apoderam desses termos pejorativos e tentam trazer um significado positivo, pois não há nada errado em ser “bicha”. Eu mantive o título do TCC para a publicação do livro. Pensei na reação que poderia ter, mas era chamativo e fazia sentido.

PJ: O que a escrita desse livro te ensinou?
JA: Eu mesmo tenho um passado de torcedor bem fanático. Comecei a pensar mais na nossa forma de torcer e na masculinidade no contexto do futebol. O livro me ensinou a ter um novo modo de torcer que não invalida a minha paixão pelo futebol e meu time. Hoje, eu sou uma pessoa que pensa muito sobre isso e não tenho nenhum problema em curtir o humor e zoação do futebol, enquanto me posiciono criticamente sobre as questões sociais. Ao contrário de torcedores que acreditam que essas movimentações contra homofobia ou machismo no futebol estão deixando o esporte mais chato. 

 

PJ: Quais histórias mais te emocionaram? 

JA: A história que mais me emocionou foi a do time de homens transsexuais, pois há um olhar menor ainda para essa parte da comunidade LGBT dentro do futebol. Quando descobri que havia sido fundado esse time, percebi que eles também tinham uma vivência no futebol. Tive um contato mais próximo com a história, diferentemente de outras partes do livro, não tive de utilizar de  historiadores e pesquisadores como fonte.

PJ: Como obras como a sua podem ajudar no combate à homofobia no futebol e na sociedade?
JA: Eu acho que o fato de lançar esse livro, o primeiro livro-reportagem com esse assunto central, e ver muitos trabalhos saindo sobre esse tema é importante para pautar a discussão. Quando começamos a falar mais, há uma maior conscientização sobre a homofobia e outros problemas. É preciso atacar a estrutura do problema e essa é a importância de lançar uma obra assim. Através dessa maior discussão, é possível  pressionar clubes, federações e jogadores a se posicionarem a favor do movimento. Através dessa pressão e dessas lutas, esse tipo de preconceito pode ser quebrado.

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