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Edição 17 - Covid-19 Plural Última Edição

Isolamento social pode desencadear ansiedade

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Como a quarentena afeta o estado psicológico das pessoas

 

Julia Boarati, Matheus Marcondes, Letícia Ferreira (3º.sem)

 

Mudar de rotina pode ser difícil, mas ao contrário do que muitos pensam, sair de um estilo de vida agitado e sociável para ficar em casa é ainda mais complicado. Ficar em casa alguns dias pode parecer ótimo, mas saúde mental é a chave para enfrentar um tempo de isolamento de forma saudável.

“O confinamento é uma situação surpreendente que não estava nem programada nem calculada. Ela se encaixa dentro do inesperado, as pessoas estão muito pouco preparadas para lidar com o inesperado, embora ele seja tão real ou até mais real do que o esperado”, diz o psiquiatra Ricardo Pupo.

Toda esta situação tem o poder de sensibilizar a saúde mental das pessoas, aumentando os níveis de ansiedade, já que fatores desconhecidos e incertos fazem com as pessoas se sintam inseguras, principalmente em casos como esse, de nível mundial. Qualquer tipo de doença ou outro evento que não se tem conhecimento prévio pode gerar medo e estresse nos indivíduos; e este medo gerado pelo desconhecimento da doença acaba por trazer graves consequências emocionais.

O medo é uma reação natural ao desconhecido; é a defesa instintiva frente às ameaças reais ou potenciais vivenciadas no cotidiano, segundo Pupo. Assim, em meio à pandemia, acredita-se que a ansiedade pode ocorrer pela existência deste medo. A situação da Covid-19, aumenta insegurança e a sensação de perigo iminente, fatores que causam ansiedade.

Os efeitos da ansiedade também podem deixar marcas traumáticas na vida das pessoas. Dados da revista East Asian Arch Psychiatry apontam que entre 2002 e 2003, quando o vírus causador da Sars matou 800 pessoas no mundo, 42% dos sobreviventes acabaram desenvolvendo algum tipo de transtorno mental. Mais da metade das pessoas sofreu com o transtorno de estresse pós-traumático, um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais em decorrência de o portador ter sido vítima de situações traumáticas.

No isolamento, o fato de não poder chegar perto de quem se ama, a perda do social e do toque fazem com que uma sensação de desamparo se torne cada vez mais presente. O desamparo reforça cada vez mais a falta de controle sobre a realidade vivida, o que acaba por aumentar os sintomas da ansiedade, explica Pupo. É importante para os que estão isolados em casa que procurem utilizar de recursos tecnológicos disponíveis para ocupar o tempo com coisas positivas. Fixar-se por demasiado em notícias da doença o tempo todo tende a só aumentar a ansiedade.

Bruna Neupman, estudante universitária, explica como está encarando a ansiedade durante o período de quarentena. “Estou tentando lidar do melhor modo possível, respirando fundo quando começam as crises, tentando praticar exercícios físicos em casa para me sentir melhor e tentando fazer o que me relaxa”.

Segundo o G1, portal de notícias da Globo, uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Alberto Figueiras, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mostra que a incidência de ansiedade e depressão nos brasileiros dobrou entre a primeira e a quarta semana de quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus.

Ricardo Pupo esclarece a questão dos emergentes problemas psicológicos que vêm surgindo. “As pessoas que já têm uma tendência para compulsão, têm uma preocupação exagerada, neste momento potencializam essas condições que já existiam. Ninguém fica com distúrbios só na quarentena, a pessoa já tem uma predisposição para isso, um nível de ansiedade, preocupação excessiva, dificuldade de sono e é lógico que em uma situação como essa tudo isso se potencializa”.

Para evitar o agravamento de problemas emocionais, a estudante do curso de Comunicação Social da ESPM Luiza Audi está utilizando o tempo de quarentena para se cuidar, fazer atividades que a permitam se sentir bem e conectada consigo mesma. “Estou meditando muito mais, estou muito mais conectada com a minha religião, com minha fé. Estou rezando muito mais, agradecendo muito mais, lendo livros de autoajuda e de energia. Estou meditando, fazendo ioga e aproveitando o tempo com minha família. Também, estou fazendo esporte para cuidar de mim, não só para emagrecer”, conta Luiza.

Muitas vezes não podemos controlar o que sentimos, e nossos sentimentos misturam-se dentro de nossas cabeças, nos impossibilitando de nos concentrar com muita coisa a não ser os pensamentos ruins e pessimistas. O sentimento de medo por nós mesmos e por todos à nossa volta toma conta em alguns momentos. Luiza conta o que faz para sentir-se melhor em momentos como esse: “Gosto de pensar que isso vai acabar logo, sei que vai voltar tudo ao normal. Quando eu fico triste olho para o lado e vejo que tenho minha família que eu amo mais que tudo, vejo que tenho minha casa, uma cama para dormir, e vejo a quantidade de coisas que temos para fazer mesmo tendo que ficar em casa, então eu fico bem”.

O psiquiatra Pupo explica também que não devemos encarar esse momento como algo inteiramente ruim, devemos tirar um aprendizado dessa situação e assim nos fortalecermos. “Esse é um momento que vai trazer um reforço muito grande para situações futuras. As pessoas que passarem por isso vão estar mais seguras para passar por outras situações da vida. Então temos que ser criativos nessa hora, não entender isso como uma limitação, como algo horrível. É um fato da vida como qualquer outro, quanto mais levarmos a vida assim, melhor”, diz.

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