CARREGANDO

O que você procura

Geral Notícias

Como está a volta às aulas na cidade de São Paulo

Compartilhar

Wenderson Matheus (3º semestre)

As aulas da rede estadual de ensino retornaram no dia 13 de abril, após autorização do Governo do Estado. No entanto, os posicionamentos sobre a volta às aulas durante a pandemia são divergentes, já que muitos profissionais da educação não querem voltar por temerem o aumento da disseminação do vírus nas salas de aulas. Desde o ano passado, existe esse embate, tanto nas redes sociais quanto na Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) recusou um recurso apresentado pelo sindicato dos professores no dia 14 de abril em oposição à volta das aulas presenciais.

Na última semana, os representantes do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindsep) fizeram uma manifestação em frente ao prédio da Prefeitura. Eles alegavam que seria uma irresponsabilidade se as aulas presenciais retornassem, ainda com os casos e mortes em alta. A Secretaria Municipal de Educação declarou que realizou encontros com entidades sindicais e que o retorno das aulas presenciais, em todas as redes, é uma prioridade das autoridades de saúde e que segue todos os protocolos de saúde exigidos.

A educação foi declarada como serviço essencial e foi aprovado o funcionamento das escolas com a capacidade reduzida para 35%. O ensino remoto foi mantido pela gestão estadual, sendo prioridade durante a fase emergencial. Na rede municipal, a Secretaria Municipal de Educação dá preferência para os alunos filhos de profissionais dos serviços essenciais, como saúde, educação, transporte público, entre outros. Mesmo após a volta dos alunos, o ensino acontece de forma híbrida (online e presencial). O ano letivo tem uma parte presencial e uma parte remota, para não haver aglomerações ainda na fase vermelha.

O fim da fase emergencial permitiu que as escolas voltassem com as aulas presenciais. O estado de São Paulo voltou à fase vermelha da quarentena, mantida até o dia 19 de abril. Sara Dias, aluna da rede estadual, conta sobre sua perspectiva em relação ao retorno das aulas. “Para mim a volta das aulas não seria viável, pois moro com idosos em casa”, relata.

As escolas reabriram do dia 12 até 14 de abril para comunicar os pais e os alunos, organizar o retorno e o rodízio dos alunos. As aulas presenciais não são obrigatórias e os alunos podem continuar com as atividades remotas. A volta às aulas presenciais teve baixa adesão até o momento. Professores e funcionários que são do grupo de risco devem continuar no trabalho remoto.

Professores dizem que muitos pais estão com receio de mandar alunos para a aula presencial. Cerca de 90% dos pais querem que o ensino remoto continue. Os outros 10% geralmente trabalham ou não tem com quem deixar os filhos. Débora Silva, mãe de um aluno da rede pública, decidiu não mandar seu filho para o ensino presencial por não sentir segurança suficiente. “Meu filho de oito anos não iria tomar os devidos cuidados se ele fosse para escola”, conta.

A porcentagem de comparecimento nas escolas ficou por volta dos 20% e em algumas escolas nenhum aluno compareceu. O Secretário Estadual da Educação, Rossieli Soares, diz que os alunos que mais precisam ser priorizados são aqueles com problemas de aprendizagem, com necessidades de alimentação escolar e alunos que têm a saúde mental em risco. Após ser questionada sobre os cuidados tomados pelos alunos, Sara Dias afirma que existem muitos riscos, mas que nem todos os alunos tomam os cuidados devidos.

Com a pandemia do coronavírus, as aulas das escolas estaduais passaram a ser transmitidas por meio do aplicativo Centro de Mídias SP (CMSP) e dos canais digitais 2.2 – TV Univesp e 2.3 – TV Educação. Muitos pais passaram a reclamar da dificuldade para acessar as plataformas digitais, já que nem todos tem acesso à internet, celular, TV e computador, por isso muitos alunos não têm acompanhado as aulas.

Escolas do ensino público e privado abriram e tiveram baixo comparecimento de alunos,  chegando a 15% da capacidade permitida. O formato híbrido continuou esta semana. Filhos de funcionários do serviço essencial continuam tendo preferência na volta às aulas.

Nesta última semana de abril, a volta das aulas está sendo ainda menos movimentada, com poucos alunos comparecendo à escola. Um movimento busca o cancelamento das aulas presenciais, convocando uma greve sanitária. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial (APEOESP) fez um abaixo-assinado para cancelar as aulas presenciais no Estado de São Paulo. A petição contém atualmente 8 mil assinaturas e no site do sindicato está disponível um documento contendo todos os casos de contaminação pelo covid-19 na rede estadual de ensino desde o retorno das aulas presenciais. O documento, que contém os nomes dos educadores e funcionários, as escolas em que trabalham, e quantas pessoas se contaminaram, já contabilizou 77 casos de contaminação no ensino estadual.

Tags:

Você pode gostar também

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *