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Brasileiros falam sobre a vida na Austrália “fechada” pela pandemia

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Nathália Rosa (8º semestre)

Há muitas preocupações decorrentes do coronavírus e de como combatê-lo. A Austrália, uma das pioneiras no mundo na implementação do lockdown, praticamente erradicou o número de casos de coronavírus em seu território, e, recentemente, passou a permitir a convivência dos moradores sem a necessidade do uso de máscaras.

Mesmo com a situação controlada, os cuidados não pararam, e o maior país da Oceania decidiu fechar as fronteiras para estrangeiros até 2022 e aumentar o rigor e a atenção com os australianos que saem ou entram em seu próprio país. Nesse cenário, muitos brasileiros que moram na Austrália estão isolados e a única opção é esperar por alguma mudança na lei que os permitam visitar seus familiares no Brasil.

A enfermeira Elisangela Lee passou por seu período de gravidez e parto longe da família, sem poder receber o apoio que desejava. Com a entrada restrita, ela diz que está há quase 2 anos sem vir para o Brasil e aguarda ansiosamente pela abertura das fronteiras. “Minha filha nasceu em julho de 2020 e nem meus pais conseguiram conhecer ainda, só viram pelo FaceTime (aplicativo para chamada de vídeo). É muito difícil estar longe da família por tanto tempo. Aqui está tudo tranquilo, podendo aproveitar todos os lugares, mas você não pode estar com quem gostaria de estar é muito doloroso”, relata.

A Austrália possui um grande número de imigrantes prejudicados pela falta de mobilidade. Joana Martins, estudante de economia na Universidade de Sidney, conta o drama que vive estando sozinha no país. “Eu moro em Sidney há 3 anos e sempre passava as férias de julho no Brasil, era o único mês que eu conseguia tempo o suficiente para visitar meus familiares e amigos. Agora, 2021 já é o segundo ano que não vou poder ver meus pais”, diz.

No momento, só podem sair ou entrar na Austrália cidadãos australianos com residência permanente, oferta de trabalho, ou com familiares imediatos no país. Ainda assim, é necessário pedir uma autorização para o governo. São poucos os voos disponíveis e vários são cancelados em cima da hora.

A Austrália é uma ilha, e, portanto, não possui fronteira direta com outros países. A situação está muito controlada, porém os imigrantes a descrevem como uma prisão. Ninguém sai ou entra a não ser situações extremamente específicas. “Por mais que eu seja grata de ter a opção de morar em Sidney, onde tudo está como era em 2019, você nunca consegue ficar 100% feliz sabendo da situação que minha família e todos os brasileiros enfrentam ainda hoje. É uma sensação de prisão ficar aqui só assistindo o sofrimento”, conta Joana.

Elisangela afirma que a angústia de quem vive fora do Brasil é a mesma de quem mora nele. “Não é diferente. A gente realmente vive com essa sensação de não saber o dia de amanhã, o que vai acontecer com a minha família no Brasil, então é muito difícil, sim”, afirmou a enfermeira.

O governo australiano, de acordo com o secretário do Departamento de Saúde, Brendan Murphy, citado pelo portal de notícias G1, considera improvável abrir totalmente as fronteiras do país em 2021, mesmo que a maior parte da população seja vacinada contra o vírus ainda neste ano.

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