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Pré-COPs colocam Brasil no centro das discussões climáticas rumo à COP30   

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Lideres em reunião na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP 30. Foto de Paulo Mumia/COP30

Maria Eduarda Travalin (4º semestre), com informações da Agência Brasil

 

[/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_wp_text]As reuniões Pré-COP permitem a elaboração de caminhos rumo à Conferência das Partes (COP). Em meio a encontros técnicos e políticos realizados durante o ano, os participantes alinham posições entre grupos específicos antes do início oficial da COP30. O objetivo é facilitar a comunicação entre governos, sociedade civil, setor privado e comunidades tradicionais, auxiliando no avanço das discussões. 

Em Belém, comunidades tradicionais se reuniram de forma online no dia 14 para discutir temas envolvendo os cinco biomas brasileiros, reservas costeiras e marinhas. O intuito é organizar uma agenda a partir das falas de quem vive nos territórios. Os encontros virtuais devem reunir lideranças, jovens, organizações comunitárias e parceiros para que sejam protagonistas nas negociações climáticas durante a COP30. Ao final, será elaborada a Carta Nacional dos Extrativistas, com propostas e reivindicações direcionadas aos líderes brasileiros. 

Durante o mês de novembro, os encontros Pré-COP se intensificam em Belém, sede da COP30. As Pré-sessões dos Países Menos Desenvolvidos (LDCs) ocorreram nos dias 4 e 5 de novembro, reunindo representantes dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. As sessões dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), entre os dias 6 e 7, abordaram elevação do nível do mar, desastres naturais e desenvolvimento sustentável. Já nos dias 8 e 9, ocorreram a Reunião do Grupo dos 77 e China e as Sessões sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM), com foco em equidade nas responsabilidades climáticas e projetos de redução de emissões. 

Pré-COP de Brasília

A Pré-COP realizada em Brasília, nos dias 13 e 14 de outubro, foi um evento em nível ministerial que contou com a presença de negociadores de 65 países e lideranças brasileiras, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente), cada um destacando uma temática específica dentro da agenda climática. 

Entre os assuntos debatidos, financiamento climático, inclusão social e compromisso global com a preservação foram os focos dos discursos que guiarão os encontros até o início da COP30. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, frisou o esforço conjunto que os países devem exercer na implementação das medidas discutidas. Segundo ele, compartilhar a preocupação com o meio ambiente e o amor ao próximo não deve ficar refém de discursos, sendo necessária uma movimentação coletiva e concreta para colocá-los em prática. 

A ministra Marina Silva, líder do Balanço Ético Global — uma avaliação realizada a cada cinco anos para verificar o progresso coletivo de quase 200 países no cumprimento das metas do Acordo de Paris — buscou ampliar a agenda climática ao incorporar dimensões culturais, raciais, intergeracionais e territoriais. A ministra ressaltou que o movimento em prol da preservação ambiental é embasado em valores e princípios humanitários, destacando a força da coletividade como ferramenta de implementação dos acordos já alcançados pelo multilateralismo climático. 

Já a ministra Sônia Guajajara, líder do Círculo dos Povos da COP30, reforçou que a participação dos povos indígenas em espaços de tomada de decisão e o reconhecimento dos territórios demarcados são indispensáveis. “Teremos a maior e melhor participação da história das COPs na Zona Azul e uma expectativa de recebermos mais de 3 mil indígenas na Aldeia COP, aumentando a participação com reforço das nossas mensagens centrais como política climática e o financiamento direto, trazendo os povos indígenas para o protagonismo das ações climáticas”, afirmou em declaração registrada pela Agência Brasil.

O ministro Fernando Haddad destacou os pedidos constantes de ampliação do financiamento climático nos países em desenvolvimento como um dos principais esforços do grupo, relembrando o compromisso com a construção do Mapa do Caminho de Baku a Belém, que visa mobilizar 1,3 trilhão de dólares em financiamento climático. A adaptação climática e uma transição energética justa são exigências do Acordo de Paris, financiadas com recursos destinados aos países que sofrem os efeitos das mudanças climáticas intensificadas pelo norte global. 

A delegação brasileira também trouxe à tona os incêndios florestais, evento ambiental recorrente em diversos países. Somente este ano, o Brasil registrou mais de 104 mil focos de incêndio até setembro, segundo o INPE. Os Estados Unidos, que se retiraram do Acordo de Paris e não participaram da reunião em Brasília, enfrentaram mais de 10 mil incêndios florestais em 2020, com 1,6 milhão de hectares queimados. 

ESPM na Pré-COP de São Paulo 

O Summit Agenda SP+Verde, realizado nos dias 4 e 5 de novembro no Parque Villa-Lobos, é um evento internacional Pré-COP promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, pela Prefeitura Municipal e pela Universidade de São Paulo (USP). O evento teve como foco quatro eixos temáticos principais: Finanças Verdes, Resiliência Urbana, Justiça Climática e Sociobiodiversidade, e Transição Energética e Descarbonização. 

O Summit reuniu mais de 500 palestrantes e cerca de 10 mil participantes, com destaque para a participação do governador Tarcísio de Freitas no painel “Nova Visão da Economia Verde”, moderado por Joaquim Leite, ex-ministro do Meio Ambiente. Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), destacou que o evento consolidou práticas inovadoras e circulares para uma São Paulo mais verde e resiliente. 

A presença do prefeito Ricardo Nunes reforçou a preocupação com o papel dos municípios no enfrentamento das mudanças climáticas e na restauração ecológica. Professores da ESPM participaram do evento com a palestra “Infraestrutura regulatória verde: O Brasil na rota da transição justa”, moderada por Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM. 

Além dos painéis, o público participou de rodadas de negócios, workshops interativos, experiências culturais e gastronômicas, e visitas guiadas. O evento também incluiu a entrega do Prêmio SP Carbono Zero, que reconheceu projetos inovadores em descarbonização e sustentabilidade, como “AARR Corredores de Vida” (IPE + AstraZeneca + Biofílica Ambipar), “Nos Hospitais” (CPFL) e “Reimaginando o Futuro Sustentável” (Toyota). 

Essas iniciativas, realizadas em diferentes regiões do país, mostram que a preparação para a COP30 vai muito além dos debates técnicos: é um movimento coletivo que envolve governos, sociedade civil e comunidades tradicionais em busca de soluções conjuntas para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a construção de um futuro mais sustentável. [/vc_wp_text][/vc_column][/vc_row]

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