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Pelo Mundo ESPM – Migração Italiana

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Johnny Negreiros – (2º semestre)

Antônio Luiz – Vitor A. Altino – (3º semestre)

Brás, Bexiga e Barra Funda. Esses três bairros paulistas, que intitulam a obra de Antônio Alcântara Machado, são locais em que a comunidade ítalo-brasileira se acomodou. Nesse sentido, faz-se pertinente abordar a migração italiana para o Brasil.

Em um primeiro momento, em meados do século XIX, dois fatores colaboraram para que italianos se refugiassem em território nacional. Primeiro, os conflitos da Unificação Italiana, entre 1848 e 1870, impuseram a trabalhadores de menor renda que fugissem. Pois, um dos destinos foi o Brasil. No total, estima-se que, de 1860 a 1920, 7 milhões de italianos deixaram o país de origem. Segundo a Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, que proibia o tráfico negreiro, fez surgir a demanda por mão de obra nas plantações de café paulistas, atraindo imigrantes. Apesar dos ítalo-brasileiros terem se instalado inicialmente no interior do Rio Grande do Sul, eles estão concentrados até hoje, no estado de São Paulo, principalmente na capital.

Antes de abordar tal município, porém, mostra-se necessário fazer um adendo. Somando-se a necessidade de empregados devido à escassez de escravos, o Estado brasileiro, já no final do século XIX e começo do XX, implementou uma política de embranquecimento da população local, com base na pseudociência do darwinismo social. Dessa forma, o Estado incentivou e financiou a vinda de europeus para o Brasil. Foi justamente nesse período em que São Paulo virou um verdadeiro centro cultural italiano.

Nessa linha de raciocínio, em 1914, surge o Palestra Itália. Um clube de futebol que pretendia aglomerar os jogadores e torcedores italianos na cidade, em detrimento dos rivais Corinthians e Paulistano. Este, encerrou suas modalidades futebolísticas por volta de 1925. Assim, Palmeiras (antigo Palestra Itália) e Corinthians passaram a protagonizar a maior rivalidade estadual desde então. A história da mudança de nome para Palmeiras, inclusive, ilustra a perseguição que os italianos já sofreram no Brasil.

Em 1942, o Brasil se posicionara ao lado dos Aliados, na Segunda Guerra Mundial, opondo-se, naturalmente, às forças do Eixo. A Alemanha nazista, o Japão imperialista e a Itália fascista se tornaram inimigas do governo Getúlio Vargas – curiosa e paradoxalmente, a Constituição de Vargas de 1937 tinha uma inspiração fascista. Consequentemente, todas as colônias ligadas a nações do Eixo sofreram retaliações varguistas. Como medida de proteção, o clube agora alviverde mudou o nome de Palestra Itália para Palmeiras. Mário Minervino, à época membro da diretoria palmeirense, bradou: “Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões!”. O Grêmio no Rio Grande do Sul e o Cruzeiro, em Minas Gerais, também passou por um processo semelhante.

Hodiernamente, os dados de quantos italianos e descendentes deles vivem no Brasil não são precisos. O último censo do IBGE que questionava a ancestralidade foi realizado em 1940. Nessa época, 1.260.931 disseram ser filhos de pais italianos, enquanto as mães de 1.069.931 entrevistados eram italianas. Já uma pesquisa mais recente, de 1999, do sociólogo e ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman, indicou que cerca de 10% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter ancestralidade italiana.

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