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LGBTFobia é tema de Oficina de Jornalismo Comunitário na Vila Mariana

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Raeesah Salomão e Theo Fava (2º semestre)

 

Jéssica Campos, educadora e slammer. Foto: Deivid Purificação.

Estudantes de ensino médio matriculados em escolas públicas na Vila Mariana (região Sul de São Paulo) participaram, no último sábado (13), de uma das atividades promovidas pela Oficina de Jornalismo Comunitário em que debateram a violência contra comunidades LGBTQIA+. A discussão foi promovida pelo coletivo Mariana em Movimento, formado por voluntários preocupados em promover ações de inclusão social e consciência crítica entre moradores.

Apresentada por Roseli Loturco, presidente do Mariana em Movimento (MM), a oficina contou com a participação da transativista, professora de dança e poeta, Sophia Demartini, e de Jéssica Campos, organizadora do Sarau do Capão, educadora do cursinho popular Carolina de Jesus e slammer (nome que se dá a quem participa de batalhas de rima e poesia). 

Preconceito

A discussão sobre LGBTfobia foi proposta pelos próprios estudantes que fazem parte do projeto do MM e que, por meio da prática de entrevistas, desenvolvem habilidades de escrita e produção jornalística.

Na entrevista aos alunos, Jéssica contou que a educação e a cultura foram os principais fatores que a fizeram se entender no mundo como uma mulher lésbica. No entanto, ela ressaltou que ainda sofre muito preconceito pelo fato de ser uma poeta que trata, entre vários temas, sobre relações homoafetivas. “Quando me coloco no mundo como uma mulher lésbica e exponho isso, às vezes acontece um abafamento da história, do tipo ‘não, tudo bem você ser uma mulher na literatura, mas uma mulher lésbica fazendo poesia não faz sentido’ ou ‘você não pode falar sobre amor, porque seu amor não é tão amor assim’”, relata.

Sophia contou que a forma de discriminação que mais a afeta tem sido a transfobia. “A homofobia nunca me atravessou. Apesar de eu ser uma pessoa pansexual e me relacionar com pessoas independente de gênero, este nunca foi um fator de discriminação. O que me atravessa é, diariamente, a transfobia: não ser lida como eu sou ou como me identifico e ser tratada como se eu fosse do gênero masculino”.

Sophia Demartini, transativista professora e poetisa.

Assim como Jéssica, Sophia também encontra liberdade na poesia. “O papel era meu refúgio”, diz ela, contando que desde criança, usa a literatura como forma de se expressar em meio a tantas repressões que sofre. “A última vez que fui à casa da minha mãe, eu peguei textos meus de quando eu tinha nove ou onze anos de idade, e vi o quão crítica eu já era nessa época”, lembra.

Sobre a luta contra o preconceito de gênero, tanto Jéssica quanto Sophia acreditam no poder da educação como uma via de transformação, especialmente quando há afeto. Para elas, existem diversos caminhos para desconstruir os estigmas sobre gênero na atual conjuntura social brasileira. “Temos que naturalizar o que é natural e normalizar o que é normal”, diz Jéssica. Ambas concordam que a educação é um espaço urgente para criar debates e encontrar soluções para tais problemas. “Quando você tem pessoas pensando, elas vão chegar a conclusões óbvias: que as existências são plurais”, destaca Sophia. “Estamos lutando contra um sistema.”

Jéssica finalizou sua participação na Oficina de Jornalismo Comunitário do coletivo Mariana em Movimento com uma mensagem inspiradora aos estudantes: “Sejam vocês mesmos. Este é o ponto: respeitem as pessoas por serem quem elas são. Uma coisa que eu não acredito é que seu direito acaba quando começa o do outro. No fundo, enquanto seu direito está acontecendo, o da outra pessoa também está. O seu direito não acaba em nenhum momento e o da outra pessoa também não. Acho que a poesia tem vencido muitas batalhas e vai continuar vencendo”.

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