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Jornalista fala sobre racismo nas redações

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Tatiana Carvalho (1º semestre)

Atualmente, com os recentes protestos no Estados Unidos sobre a brutalidade policial contra os negros, a discussão do racismo voltou a ganhar grandes proporções. Muitas celebridades estão se posicionando e diversas reportagens sobre o assunto estão sendo feitas.

O racismo é algo que ainda está presente em todas as esferas da sociedade, inclusive no jornalismo. Esse preconceito já é visível nas faculdades, pois apenas 20% dos estudantes de jornalismo são negros, segundo pesquisa do portal É nois conteúdo.

Quando analisado o mercado de trabalho, esses números são ainda mais alarmantes. Segundo uma pesquisa feita pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), apenas 20% dos jornalistas nas redações são negros. Quando analisados os programas televisivos, esse número cai para 3,7 %, de acordo com a pesquisa do portal Vaidapé.

Esse preconceito também está presente quando se analisa as fontes entrevistadas pelos jornalistas, que são majoritariamente brancas, sendo apenas 8% negras, segundo o portal É nois conteúdo.

Outro fator que deve ser analisado é o fato de, segundo uma pesquisa feita pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), mais de 90% dos formadores de opinião dos grandes jornais são negros.

Além desses dados, é válido ressaltar alguns exemplos de racismo que já ocorreram nas redações. Um caso que ficou muito marcado foi o de profissionais de uma emissora que criaram um grupo para falar mal e ofender colegas negros.

A jornalista Fernanda Campos, repórter da RBS TV, conta que nunca sofreu racismo de forma explícita. No entanto, já ocorreu de não perceberam que ela era a repórter, isso pois as pessoas não veem a mulher negra como jornalista, “Já aconteceu de entrevistados, por exemplo, quando eu chegava para fazer uma entrevista, perguntarem quem é a repórter”, disse ela.

A profissional também comenta sobre o fato das empresas de jornalismo não contratarem profissionais negros, mesmo eles estando no mercado de trabalho. Para mudar essa situação, ela acredita que devem ser criados programas que insiram os afrodescendentes nas redações. Além disso, Fernanda espera que as instituições percebam como essas pessoas agregam no trabalho final da empresa, até mesmo em termos financeiros.

Outro fator ressaltado por ela foi o da visibilidade, a jornalista destaca que atualmente já existem alguns jornalistas negros em posições de destaque. Porém, Fernanda comenta que ainda falta representatividade nas redações, pois existem poucos profissionais negros por detrás das câmeras.

A estudante Stephany Laureano conta que recentemente passou a notar que não existem muitos jornalistas negros em posições de destaque nos jornais. Além disso, ela comentou sobre a falta de pluralidade nas redações: “Eu acho que a falta de diversidade não afeta os leitores pelo simples fato das pessoas não repararem que isso é um problema, ou repararem que no ambiente não tem nenhuma pessoa negra”, comenta a jovem.

Stephany também expressa que não deixa de consumir notícias de portais de informação que não tem profissionais negros pois, se fizesse isso, não sobrariam redações para que ela pudesse se informar.

Já a arquiteta Letícia Correia afirma que houve um aumento de jornalistas negros, porém a quantidade ainda não se compara aos brancos, principalmente em posições de destaque.

Para melhorar essa situação de desigualdade, a arquiteta acredita que devem ser dadas mais oportunidades para os jornalistas negros recém formados, “Programas de estágios e apesar de ter um “porém” em relação às cotas, ainda é um meio que ajuda muito nas faculdades/universidades e de repente também seja uma opção”, opina.

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