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Documentário aborda a influência das redes sociais na autoestima de seus usuários

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Ana Clara Rangel (1º semestre)

O novo documentário da Netflix, “O Dilema das Redes”, mostra como as mídias sociais utilizam algoritmos que manipulam as informações que chegam às pessoas, prevendo o comportamento humano, controlando emoções e influenciando diretamente na mente de seus usuários, quase que imperceptível. Além disso, há uma exploração da vulnerabilidade psicológica de quem as usa, controlando não só a forma como passam o tempo, mas o influenciando cada vez mais profundamente e assumindo o controle da autoestima e do senso de identidade.

Um dos assuntos abordados no documentário é sobre como as redes têm influenciado na autoestima de seus usuários, fazendo com que as pessoas passem a se importar muito mais com o que os outros pensam a respeito de si. Isso tem levado à criação de uma vida envolta em um senso de perfeição, para que gere uma recompensa, como as curtidas, comentários elogiosos e compartilhamentos, confundido o valor pessoal e a realidade, quando na verdade, se trata apenas de uma frágil popularidade passageira.

Padrões de beleza existem há séculos, mas atualmente essa fixação por uma aparência computadorizada tem levado as pessoas a ficarem cada vez mais parecidas com as irmãs Kardashian-Jenner, que possuem cirurgias plásticas para mudar suas feições, influenciando garotas mais jovens a seguirem seus passos. Tal influência foi tamanha que os filtros começaram a surgir, numa tentativa de aproximação dessa beleza. “A influência das redes pode tanto ajudar, quanto piorar a autoestima. De forma negativa, por seus usuários não necessariamente terem comprometimento com a verdade, abrindo para as famosas comparações, em que muitos tendem a se expor somente quando estão bonitos e atraentes, podendo gerar no outro algo como ‘essa pessoa é muito melhor do que eu’”, explica Maria Lúcia Camargo de Andrade, psicoterapeuta.

Um Censo de 2016 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostrou que a procura por procedimentos estéticos aumentou 390% no país. Tais buscas são chamadas, por especialistas, de Dismorfia do Snapchat, um transtorno mental, quando as pessoas procuram defeitos em sua aparência, criando uma preocupação extrema que muitas vezes acarreta o desenvolvimento de ansiedade e problemas mais sérios.

De acordo com dados do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a internação por autoflagelo não-fatal, isto é, automutilação, aumentou 62% em adolescentes mais velhas, entre 15 e 19 anos. No caso das pré-adolescentes, entre 10 e 14 anos, esse aumento foi de 189%, quase o triplo. O mais assustador é que as taxas de suicídio têm seguido o mesmo padrão: nas adolescentes teve um aumento de 70% se comparado à primeira década do século e nas pré-adolescentes, que possuem taxas mais baixas, houve um aumento de 151%.

Esse padrão aponta para as mídias, a geração Z, formada pelos nascidos a partir de 1996, são os que começaram a usar redes sociais durante a pré-adolescência. Uma geração que se tornou ansiosa, frágil e deprimida, se sentindo cada vez menos confortável em se arriscar, ocasionando uma mudança real em uma geração por inteiro.

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