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Brechós online são alternativa para uma moda mais consciente

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Giulia Castro (3º Semestre)

Por muito tempo, ao se falar em brechós e bazares, o pensamento mais comum era de lugares bagunçados, com roupas velhas e desinteressantes. Atualmente, substituindo essa ideia ultrapassada, vem tomando espaço uma nova forma de pensar: os brechós passam a ser vistos como um meio para adquirir diferentes peças de roupa e de maneira sustentável. E, como quase tudo hoje em dia, eles podem ser encontrados de maneira virtual.

De acordo com dados do Resale Report 2020, da ThredUP, o setor de usados cresceu 25 vezes mais rápido do que o varejo de moda tradicional em 2019. O crescimento do número também se apresentou como um reflexo da pandemia. Enquanto muitos setores sofreram uma redução de demanda, o ramo de roupas de segunda mão apresentou um crescimento acelerado, de forma que a partir das projeções do estudo, estima-se que em 8 anos esse segmento somará um faturamento de 80 bilhões de dólares.

O estudante de logística Henrique Rodrigues é uma das pessoas que decidiu dar início a um brechó online no ano de 2020. Ele conta que uma de suas principais motivações foi encontrar algo que pudesse lhe trazer uma renda, mas que também fosse motivador de exercer. Além disso, ele destaca a importância que os brechós têm para manter a vida útil das roupas por mais tempo.

“Muitas vezes as pessoas compram roupas e enjoam rápido, ou usam poucas vezes e acreditam que a roupa já perdeu a qualidade. E às vezes essas roupas são descartadas ou mantidas no fundo do armário por anos. Quando essa peça vai para um brechó, outra pessoa pode se interessar e uma peça que teria morrido ali tem seu uso prolongado por muito mais tempo”, explica Henrique.

Em concordância com o pensamento do estudante, um estudo divulgado pela organização Working together for a world without waste (WRAP) em 2015 concluiu que prolongar a vida útil de roupas por 9 meses pode reduzir a pegada de carbono, de resíduos e de água em cerca de 20 a 30%. Já dobrar a vida útil de uma peça de um para dois anos reduz 24% das emissões de carbono ao ano.

A Global Fashion Agenda estima que até 2030 a humanidade produzirá 148 milhões de toneladas de resíduo têxtil ao ano, o que equivale a 17,5kg por pessoa. Outro relatório feito em 2017, pela Boucher and Friot, mostrou que os materiais têxteis são responsáveis por 34,8% da poluição global de microplástico, um dos principais poluentes do oceano. Os números são alarmantes e refletem a necessidade de uma nova lógica de consumo e produção.

Mas para além da questão ambiental, Henrique destaca a diversidade de roupas que podem ser encontradas no ramo de peças de segunda mão. “Eu acho que uma outra coisa legal de comprar em brechós é que é possível encontrar coisas bem diferentes e por preços bem mais acessíveis que nas lojas normais. Ainda não é meu caso, mas eu sei que existem brechós que fazem umas curadorias super específicas e vendem até mesmo peças de grife usadas, mas com ótima qualidade. Tem alguns que também pegam roupas velhas e a partir delas fazem uma nova peça. Enfim, com certeza, opção tem pra todo tipo de estilo”, opina ele, que ainda completa dizendo que já encontrou boas peças por R$ 5 ou R$ 10 em bazares que visitou.

Por fim, ele explica que escolheu abrir seu negócio online pela praticidade e economia. “Fica bem melhor porque eu coloco as peças no Instagram ou em outros sites e ali mesmo já dá para combinar com a pessoa como vai ser a entrega e o pagamento, simplifica bastante o processo e ainda mais agora na pandemia, as redes sociais ajudam muito”.

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