CARREGANDO

O que você procura

Geral Notícias

Atentado terrorista às Torres Gêmeas completa 20 anos

Compartilhar

Cinco acusados vão a julgamento, entre eles o principal conspirador e idealizador dos ataques

Eduardo Fabrício (2º semestre)

No próximo sábado, 11, o atentado ao World Trade Center em Nova Iorque completa 20 anos. Dois aviões Boing 767 foram sequestrados e se chocaram contra as Torres Gêmeas do complexo, deixando quase 3 mil vítimas e mais de 6 mil feridos. Osama Bin Laden junto à Al-Qaeda foram identificados como responsáveis.

A semana também marca a retomada do julgamento de cinco pessoas acusadas de planejar e executar os ataques. As audiências ocorrem na Baía de Quantánamo, em Cuba. Entre os acusados está Khalid Sheikh Mohammed, preso no Paquistão em 2003 e acusado de ser o principal conspirador do atentado de 2001.

Após a prisão, Mohammed passou três anos em prisões secretas da CIA fora dos EUA. Depois foi levado para Quantánamo, onde após sofrer tortura confessou ter arquitetado os ataques. A confissão foi questionada pela Suprema Corte norte-americana em 2008, devido às circunstâncias.

Além de Mohammed, também serão julgados Walid Muhammad Salih Mubarak Bin ‘Attash, Ramzi Bin al-Shibh, Ali Abdul Aziz Ali e Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi. Se condenados, os cinco podem receber a pena de morte.

Histórico do conflito

Um dos motivos alegados pelos terroristas para o ataque foi a presença das tropas estadunidenses, desde a Guerra do Golfo de 1991, na Arábia Saudita, onde estão as duas cidades sagradas do islã, tornando intolerável a presença permanente de ‘infiéis’ no território. Outro motivo foi a aliança entre EUA e Israel, principal inimigo dos fundamentalistas muçulmanos. Esses grupos enxergam os EUA como interventores em prol de seus interesses.

O então presidente americano George W. Bush exigiu do governo do Afeganistão que expulsasse a Al-Qaeda de seu território e extraditasse Bin Laden para julgamento. O Afeganistão era governado pelo grupo, também fundamentalista, de orientação sunita, Talibã, que recusou o pedido dos EUA.

Os americanos, junto com aliados britânicos e autorização da ONU, iniciaram a Operação Militar no Afeganistão exatamente um mês após os atentados. Foram estabelecidos um governo afegão provisório, forças da OTAN e de diversos outros países.

Assim se iniciou a Guerra no Afeganistão, ou como chamava o presidente estadunidense, ‘Guerra ao Terror’, um combate ao ‘eixo do mal’, composto por Irã, Iraque e Coreia do Norte. Em outubro de 2004, ocorreram as eleições no Afeganistão, marcando o fim da primeira fase da guerra, com o Talibã, até então, militarmente derrotado.

Ressurgimento do Talibã

Líderes do Talibã em ocupação do palácio presidencial – Foto: Guia do Estudante

No início de julho deste ano, os EUA anunciaram a saída das tropas da base aérea de Bagram, principal instalação militar do Afeganistão. Em menos de dois meses, o Talibã retomou o poder no país e, ao ocupar o palácio presidencial em 15 de agosto, afirmaram “nós ganhamos a guerra, os EUA perderam”.

A ascensão do Talibã não é recente. O grupo foi listado em 2016 pela Forbes como o quinto mais rico entre dez organizações consideradas terroristas, com faturamento de US$ 400 milhões, o que significou um aumento de quatro vezes seu patrimônio em cinco anos.

O dinheiro vem principalmente do tráfico de drogas, extorsão e cobrança de impostos de fazendeiros de papoula, mineração e doações de fundos de caridades, especialmente de países do Golfo. Um dos principais medos com a volta do grupo ao poder é se haverá ou não garantia da manutenção das liberdades individuais.

Em entrevista ao G1, o analista político Oliver Stuenkel não é otimista quanto a moderações ou aproximações do Talibã com outros países. “Eu acho que ao longo dos próximos anos dificilmente haverá um diálogo formal, porque querendo ou não, ainda existe uma tensão enorme entre os valores e ideias que os EUA defendem e o que o Talibã representa”, comenta.

Tags:

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *