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“A verticalização é inevitável”, diz arquiteto a respeito de São Paulo

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Vista da Vila Mariana, região que possui mais edifícios em toda a capital paulista. Foto: Fábio Martin

São Paulo se torna a cada dia uma das metrópoles mais urbanizadas do mundo. A quantidade de prédios em cada bairro só aumenta, em detrimento da quantidade de indivíduos que neles vivem. De acordo com pesquisa feita pelo instituto Datafolha, 70% dos moradores da Vila Mariana vivem em apartamentos. No entanto, os pontos negativos também surgem com o crescimento desse  centro urbano. O intenso trânsito que pune os cidadãos em ruas e avenidas, de segunda a segunda, é algo que precisa ser abolido.

Vinicius Mazzoni, arquiteto de 32 anos, trabalha na Plure Arquitetura desde 2009 e é formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista. Na entrevista que segue, ele tenta explicar como é a infraestrutura de São Paulo e entender o significado da verticalização dos bairros. Além disso, comenta sobre as relações desse fenômeno com os congestionamentos em diversas regiões.

Portal de Jornalismo: São Paulo pode ser considerada uma cidade bem urbanizada?

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Mazzoni trabalha na Plure Arquitetura desde 2009. Foto: arquivo pessoal

Vinicius Mazzoni: São Paulo pode ser considerada uma cidade bem urbanizada se considerarmos o aspecto quantitativo desta concentração. No aspecto qualitativo, já não diria tão bem assim; ainda temos muito a melhorar. Uma grande metrópole que cresceu de forma desordenada e sem planejamento, acabou se moldando de acordo com a necessidade do momento. E isso traz e trouxe muitas consequências ruins.

PJ: O que significa um bairro ser “verticalizado”?

VM : A aglomeração em uma determinada região aumentou a quantidade de concentração de pessoas por m² e a procura por espaço começou a ser cada vez maior. A solução encontrada foi empilhar os espaços uns sobre os outros, formando-se as torres. Assim, bairros e cidades verticais nada mais são que espaços sobre espaços sendo usados de diversas formas, e que ocupam uma concentração ainda maior que antes, porém com uma menor área de projeção / ocupação sobre o terreno.

PJ: A verticalização de um bairro é, necessariamente, ruim?

VM: A verticalização de um bairro, sendo algo planejado, estudado e previsto não é necessariamente ruim. Tratando-se de grandes centros urbanos, são trazidas diversas facilidades e qualidades aos seus usuários, inclusive sendo bem sustentável no sentido amplo da palavra. Existem muitos bons exemplos espalhados pelo mundo. Logicamente, existe quem não goste desta concentração de gente por perto, mas isso é uma outra questão!

PJ: A verticalização de bairros como a Vila Mariana ajuda na qualidade de vida dos moradores?

VM: As ruas mudam, os bairros e cidades também mudam, seus vizinhos se mudam, a Terra muda, nada para e isso, de certa forma, traz o progresso para tudo. Mas a mudança é uma coisa que incomoda. A mudança aconteceu também na Vila Mariana, onde hoje muitas torres estão aparecendo no horizonte, trazendo ainda mais gente e necessidades. Para uma cidade grande como São Paulo, a verticalização é inevitável, mas ela só será boa e trará qualidade de vida para seus frequentadores a partir do momento que isso for planejado e reestruturado. Não adianta triplicar a quantidade de gente que vivia em um quarteirão e não mexer na infra estrutura do bairro. Um bairro bem estruturado pode ajudar e muito no dia a dia das pessoas.

PJ: Em que aspectos esta saturação de prédios afeta o bairro?

VM: Esta concentração de prédios pode afetar negativamente, se não prevista, qualquer lugar do mundo. As vias de acesso, a rede elétrica, água e esgoto, poluição, problemas de insolação e ventilação da cidade, entre outros, são alguns exemplos. Mas podem, de forma geral, afetar positivamente, se previstos. Esta concentração pode trazer benefícios na infraestrutura de comércio e serviço da região, escolas, hospitais, transporte público, espaços de lazer e cultural. Enfim, se feito da maneira correta, sim, pode ser muito bom. E esta saturação passa a não ser um incomodo.

PJ: O trânsito intenso está relacionado a esta verticalização?

VM: Sem dúvida. A concentração de pessoas por região aumentou bastante, e muito pouco foi feito para atender esta nova demanda. Muito mais gente saindo e entrando no mesmo lugar. A concentração de carros aumentou, o transporte público ainda não foi estruturado adequadamente. É impossível vestir um adulto com um roupa de bebê! A mesma coisa acontece nestas novas concentrações! As vias existentes várias vezes não suportam esta nova concentração de carros, e não dão a vazão necessária para tal.

PJ: A disposição viária do bairro está relacionada a esse trânsito?

VM: Também está. Por isso, a verticalização e a concentração bem estruturadas de um bairro podem ser interessantes. De certa forma, as distâncias diminuem, tudo tem acesso mais fácil; anda-se mais a pé ou de bicicleta e o transporte público se organiza mais facilmente, depende-se menos do carro.

PJ: O que poderia ser feito para que o trânsito fosse mais moderado, mesmo em horários de pico?

VM: É um problema que tem solução a longo prazo, mas muita coisa deve ser feita. De imediato, deve-se focar em um transporte coletivo de qualidade, que atenda efetivamente toda a cidade e entornos, para que a população, paralelamente à reestruturação, se reeduque e passe a pensar no transporte coletivo de forma benéfica e, assim, volte a usá-lo, deixando de lado o uso constante do carro particular. O rodízio de carros existente na cidade de São Paulo é algo paliativo! Até quando?

Fábio Martin (2° semestre)

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