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O que esperar das novas modalidades olímpicas em Tóquio?

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Por: Enzo Lourenço, Leonardo Selvaggio, Marcelo Baroni, Pedro Carvalho, Pedro Lopes, Pedro Sabbadini, Rafael Falino e Rodrigo Salzano (Oficina de Jornalismo Esportivo)

As Olimpíadas estavam previstas para serem disputadas em julho de 2020, mas por conta da pandemia de Covid, teve que ser adiada, passando para este ano de 2021. Sendo assim, os Jogos Olímpicos serão disputados em Tóquio no Japão, com início previsto para o dia 23 de julho e término no dia 8 de agosto. Nesta edição, novas modalidades foram adicionadas aos Jogos, desde a última competição, que foi disputada no Rio de Janeiro em 2016. Essas novas modalidades são: Escalada, Skate, Beisebol, Karatê e por fim o Surfe.

ESCALADA 

A escalada nas Olimpíadas de Tóquio será um desafio enorme para os competidores. Ela contará com três modalidades diferentes: Boulder, Lead e Speed. No primeiro, os atletas terão de enfrentar paredes mais baixas, de apenas 4,5 metros, e terão 4 minutos para tentarem chegar ao topo, sem a ajuda de cordas, precisando realizar movimentos mais desgastantes e explosivos. Já no Lead (liderança, em português), as paredes da escalada são mais altas, agora com 15 metros, com um grau maior de dificuldade, onde o vencedor é indicado baseado na altura máxima alcançada durante seus 6 minutos de escalada.

Cesar Grosso em ação pela modalidade Boulder. Foto: Revista Trip

Já na modalidade Speed (velocidade, em português), o próprio nome já indica uma característica da prova. Dois competidores duelam lado a lado a escalada de 15 metros, que está posicionada a 95 graus em relação ao chão, em que o vencedor é o que for mais rápido entre os dois. Infelizmente, o Brasil não terá nenhum competidor na disputa por uma medalha. A última chance de classificação foi no campeonato Pan-Americano em 2020, onde apenas o atleta Cesar Grosso chegou na final, mas acabou ficando em sétimo lugar, sem a vaga. Devido ao cenário atual, o Comitê Olímpico Internacional, o COI, não disponibilizou muitas vagas para a modalidade, apenas 40, sendo 20 para o masculino e 20 para o feminino. Os brasileiros não são referência nesta modalidade, e a tendência é que a disputa por medalha seja entre chineses e eslovenos.

SKATE

O skate é uma das modalidades mais praticadas do mundo. A entrada desse esporte nas olimpíadas certamente vai impulsionar para que haja mais oportunidades para pessoas que têm o sonho de disputar uma olimpíada. Existem diversas modalidades de skate, nas olimpíadas será praticado o Skate Park e o Skate Street. O Skate Park é uma pista adequada para a prática. São skatistas que fazem manobras mais arriscadas e radicais. Já o skate street é a prática na rua, com obstáculos, escadarias e corrimões, onde não há pistas profissionais e sim calçadas e asfalto. Será a primeira vez que o skate estará nos jogos olímpicos, o que promete ser uma situação muito emocionante e também importante para esse esporte, já que ainda é visto com maus olhos e sofre muito preconceito.

Alguns dos maiores skatistas de todos os tempos não irão participar do torneio, como por exemplo Tony Hawk, que é considerado por muitos o maior da história do esporte. Hawk aposentou do skate profissional em 2003, aos 35 anos e não tem mais condições físicas para disputar as olimpíadas.

Imagem ilustrativa do skatista Tony Hawk – Internet

O Brasil estará bem representado nesta modalidade. Letícia Bufoni e Pamela Rosa estão entre as favoritas para vencer a medalha de ouro. Além delas, Rayssa Leal, atleta de apenas 13 anos, se classificou para os jogos olímpicos após uma terceira colocação no mundial de skate disputado em Roma, e representará o Brasil no Skate Street em Tóquio.

Pamela Rosa, Leticia Bufoni e Rayssa Leal irão representar o Brasil nas olimpíadas. Foto: @rayssalealsk8 no Instagram

Rayssa pode ser a brasileira mais jovem a ganhar uma medalha nas olimpíadas, quem ocupa esse posto até hoje é Rosângela Santos que na época tinha 17 anos e 8 meses, levou o bronze nas olimpíadas de Pequim no atletismo. Se você quer saber mais detalhes sobre Rayssa Leal, o fenômeno do skate e sua trajetória para chegar aos jogos olímpicos com apenas 13 anos, acompanhe o vídeo de Leonardo Selvaggio.

 

BEISEBOL

Modalidade já conhecida pelos amantes das Olímpiadas, o Beisebol e o Softbol retornaram a edição de Tóquio após mais de 12 anos. Adicionado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, o beisebol teve sua última aparição nos jogos de Pequim, em 2008. Em suas 5 edições, essa modalidade tem como maior campeão Cuba, com 3 medalhas de Ouro, além de 2 de prata. Estados Unidos e Coreia do Sul também são campeões nessa modalidade, com uma vitória de cada. Já o Softbol só foi implementado em 1996, nos jogos de Atlanta, e retirado após Pequim. Os Estados Unidos são tricampeões do softbol em 4 edições, perdendo a única vez na final de 2008 para o Japão.

Vale ressaltar que nos jogos de Tóquio, o beisebol é disputado exclusivamente pelos homens, enquanto o Softbol será disputado apenas por mulheres. Ao todo, 6 seleções nacionais disputarão cada modalidade, com os jogos acontecendo no Estádio de Yokohama, exceto as partidas de abertura, que serão no Estádio de Beisebol de Fukushima Azuma.

O objetivo dos dois esportes é o mesmo: rebater a bola lançada pelo arremessador e correr pelas quatro bases do campo. A partida é vencida pela equipe que conseguir o maior número de corridas passando por todas as bases. Porém, há algumas diferenças entre as modalidades: além do tempo, do número de entradas e do campo serem menores no softbol, o tamanho da bola é menor no beisebol. Mas a principal diferença está no arremesso, já que enquanto no Beisebol a bola é arremessada por cima, saindo acima da cabeça do arremessador, no softbol a bola sai por baixo, na altura da cintura.

André Rienzo, arremessador brasileiro. Foto: Divulgação

Infelizmente o Brasil não tem chance de classificação em nenhuma das modalidades. No softbol, as equipes que participarão já estão definidas: Estados Unidos, Itália, México, Canadá e Austrália, além do anfitrião Japão. Já no beisebol, Coreia do Sul, México, Israel e Japão já estão classificados. As outras duas vagas ainda serão definidas, uma pelo Pré-Olímpico das Américas, que começou dia 31 de maio na Flórida, e outra pelo Pré-Olímpico Mundial, que acontece entre 16 e 20 de junho em Taiwan.

KARATÊ

Outro grande conhecido do público, essa modalidade chega para ampliar mais ainda a gama de categorias de luta, juntando – se a luta olímpica, taekwondo, judô, boxe e a esgrima. Surpreende  de certa maneira, aos desavisados o fato que esta  competição nunca esteve presente no cenário olímpico, devido a tamanha popularidade do esporte, porém existe uma explicação para isso. O karatê não era considerado como um esporte oficialmente, portanto não poderia ser incluído nos jogos olímpicos. Isso mudou em 2016, quando o Comitê Olímpico Internacional tomou a decisão de aceitar o esporte como uma modalidade. Com isso, o Karatê estará presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio pela primeira vez em sua história.

Até o atual momento, já foram divulgados 80 caratecas que irão disputar as olimpíadas. Além destes, ainda existem 24 vagas em aberto, que serão definidas graças ao Torneio de Classificação Olímpica, que acontecerá em Paris, dos dias 11 a 13 de Junho. Fora isso, ainda existem outras 12 vagas, essas que serão alocadas de acordo com a representação continental.

Até agora nenhum Brasileiro se classificou. Quem chegou mais perto foi o carateca Vinícius Figueira, que até seria confirmado nos jogos, porém graças à uma desorganização do Comitê Olímpico que acabou decidindo voltar atrás no ranking de classificados, foi prejudicado, e agora vai ter que brigar pela vaga novamente.

Foto de Vinícius Figueira durante uma disputa de Karatê. Foto: Internet

SURFE

O surfe vai ser disputado na praia de Tsurigasaki, em Chiba, a 64 km de Tóquio. Como a modalidade depende de condições climáticas, o torneio tem uma janela de até o final dos Jogos para definir seus campeões.

Ítalo Ferreira em ação na etapa mundial Foto: Pablo Jimenez

Durante os jogos, somente uma modalidade vai ser disputada. O shortboard, pranchas que têm um tamanho médio de cinco pés e onze polegadas. É a modalidade mais popular do esporte e estará na disputa em Tóquio.

No torneio inaugural do surfe na história dos Jogos Olímpicos, serão vinte atletas de cada gênero na chave. Eles serão divididos em cinco baterias de quatro competidores no primeiro round, com o primeiro e segundo colocados avançando direto para o Round 3, enquanto os terceiros e quartos colocados terão uma segunda chance no Round 2. Nesta fase de repescagem, serão duas baterias de cinco atletas, com os três primeiros avançando para o Round 3. Na última fase de grupos, serão quatro baterias com quatro atletas, com os dois melhores de cada chave avançando para a fase de quartas de final, onde a partir dali a disputa será atleta a atleta para definir os medalhistas.

Muitos nomes são candidatos à medalha, principalmente os brasileiros: Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, e também o bicampeão mundial, o havaíano John John Florence. Portanto, esses três são os principais candidatos e favoritos à disputa pelo primeiro ouro olímpico da categoria. Pelo lado feminino, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb, trazem esperança de medalha para o Brasil, mas vão ter que superar a tetracampeã mundial, a havaiana Carissa Moore, além da australiana Stephanie Gilmore que já conquistou sete vezes o título mundial do surfe feminino.

Gabriel Medina retomou a liderança do Circuito Mundial de Surfe Foto: WSL

 

AS ESPERANÇAS DE MEDALHAS

OLIMPÍADAS

Além de Pamela Rosa e Rayssa Leal, do skate, e Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, do surf, que já foram citados e possuem grandes chances de medalha nas Olimpíadas, outros brasileiros irão lutar pelo pódio e até pelo ouro olímpico em Tóquio, muitos com possibilidades reais de medalha. Listamos para você os brasileiros com a maior chance de pódio, mas se quiser acompanhar todas essas informações de uma maneira mais completa e informativa, confira as reportagens de Leonardo Selvaggio, Rafael Falino, Pedro Lopes e Pedro Carvalho:

 

Isaquias Queiroz e Erlon Souza – Canoagem

A dupla da canoagem possui grandes chances de faturar medalhas para o Brasil nessa Olimpíada. Isaquias foi campeão mundial na canoagem individual de 1000m em 2019, uma prévia dos jogos olímpicos. Já na canoagem dupla, os brasileiros estão muito fortes, conseguindo o bronze na prova de 1000m neste mundial. Na última prova disputada, a Copa do Mundo da Hungria, Isaquias ficou com a prata na prova individual de 1000m, enquanto Erlon foi poupado para estar 100% nos jogos olímpicos.

Isaquias e Erlon abraçados Foto: Divulgação

 

Beatriz Ferreira – Boxe

A boxeadora de 28 anos é a atual campeã mundial de boxe na categoria de até 60kg. Em 2021, foi ouro em dois torneios, na Bulgária e na Alemanha. Em 2019, venceu o Pan-Americano de Lima. Tóquio será a sua primeira Olimpíada, já que em 2016 ela participou do programa Vivência Olímpica, em que jovens que não se classificaram viajaram para o Rio para passar por essa experiência.

Beatriz Ferreira após ouro no Pan de Lima Foto:Divulgação

Martine Grael e Kahena Kunze – Vela

Martine e Kahena são as atuais campeãs olímpicas na modalidade 49er FX da vela, e agora defendem o ouro em Tóquio. Elas foram medalhistas de prata no mundial de 2019, e em 2021 venceram a Regata Olímpica de Inverno de Lanzarote, na Espanha, que contou com a presença das suas prováveis concorrentes na Olimpíada. Neste último mês, ficaram em terceiro lugar em um torneio em Cascais, Portugal.

Martine e Kahena após ouro no Rio 2016 Foto:Danilo Borges/brasil2016.gov.br

PARALIMPÍADAS

O Brasil possui grandes expectativas para a Paralimpíada de Tóquio. O país quase duplicou o número de medalhas paralímpicas nos jogos do Rio comparado à Londres, uma melhora de 43 para 72, e a tendência é aumentar ainda mais esse número. As Paralimpíadas acontecerão entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro de 2021, e a meta brasileira é terminar a frente de sua última colocação, o 8º lugar no Rio.

Antônio Tenório – Judô

Antônio é considerado o maior judoca paralímpico da história. O brasileiro é tetracampeão da categoria B1, para cegos totais. Ele foi o primeiro e único atleta do judô paralímpico a obter quatro medalhas de ouro consecutivas, ficando em primeiro lugar do pódio entre Atlanta em 1996 até Pequim 2008. Ganhou bronze em Londres e a prata no Rio. Agora já com 50 anos de idade, Antônio deve conseguir o pódio em Tóquio, e quem sabe, o ouro.

Antônio Tenório após prata nos jogos do Rio Foto: Bruna Prado/Getty Images

Vôlei sentado

Foi criado em meados dos anos 50, na Alemanha. Originalmente era chamado de seatball, porém com a expansão do esporte, acabou tendo seu nome adaptado a cada região. O Seatball acabou virando uma das várias modalidades do esporte, que hoje em dia é um dos principais disputados na paralimpíada.

O vôlei sentado é praticado da seguinte maneira: A quadra tem 10 metros de comprimento e seis de largura; o objetivo é o mesmo do vôlei normal, porém na regra é permitido um quique da bola. A principal regra é manter os glúteos colados ao chão.

Partida final de vôlei sentado dos jogos Parapan – Americanos entre Brasil e EUA Foto: Rodolfo Vilela/ rededoesporte.gov.br

O Brasil conquistou sua primeira medalha na última olimpíada, com o time masculino, tendo o prazer de ganhar um bronze, conquista inédita alcançada logo em sua casa. Motivado após essa medalha, os brasileiros vão a Tóquio em busca do ouro, sonhando com mais uma conquista inédita. O feminino se classificou para as olimpíadas após a final do Parapan – Americano, mesmo perdendo para os EUA. Isso aconteceu pois os Norte Americanos já tinham a vaga assegurada, e com isso ela foi repassada para o segundo colocado.

Futebol de 5

O futebol de 5 é um esporte praticado por 4 atletas cegos e o goleiro que enxerga normalmente. A modalidade entrou para os jogos paralímpicos nas olimpíadas de Atenas em 2004. Até hoje, só o Brasil venceu a medalha de ouro, são 4 conquistas em 4 edições, e para essa olimpíada, a seleção brasileira chega novamente como favorita para levar o penta.

O futebol de 5 é disputado em uma quadra que segue as medidas do futsal, com algumas alterações nas regras tradicionais: os atletas de linha usam vendas nos olhos para evitar qualquer vantagem dos que apresentem percepção luminosa, enquanto o goleiro consegue enxergar normalmente. A partida é composta por dois tempos de 25 minutos cada, com intervalo de 10 minutos. O som dos guizos do interior da bola orienta os jogadores.

Jogador brasieliro em ação pela seleção de futebol de 5 Foto: Divulgação/CPB

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