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O forte discurso no álbum “O Líder Em Movimento”, de Abebe Bikila

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Enrico Sordilli (2º semestre)

Abebe Bikila Costa Santos, mais conhecido como BK’, é um dos mais famosos compositores do rap brasileiro. O poeta, nascido no Rio de Janeiro, lançou seu terceiro álbum, “O Líder em Movimento”, no dia 7 de setembro, data comemorativa da Independência do Brasil. Com 10 faixas, o artista abre o álbum com o som “Movimento”, que retrata o tema principal do trabalho, a luta contra o racismo e a busca pela verdadeira liberdade do povo negro.

Com o agitado ano de 2020, parte dos fãs tinha em mente que o álbum traria em suas letras um aspecto agressivo contra o Estado. Anderson Santos, estudante negro que acompanha o rap há mais de 10 anos, pontua a importância do álbum para o momento “Esse álbum do BK’ me mostrou que o mais importante é mostrar para nós mesmos que não estamos passando por esse momento conturbado sozinhos e que estamos todos juntos nessa luta”.

Em suas linhas, BK’ grita pela liberdade do povo negro (“Mandam tu se calar, nunca abaixe o tom, no show nós somos Martin Luther King em Whashington”). Traz em suas linhas assuntos pouco debatidos e de extrema necessidade, como a Igreja, o sistema branco opressor, a política brasileira, a perspectiva de um Brasil com nomes em estátuas e ruas de pessoas associadas ao racismo no país, enquanto lideranças morrem lutando por uma sociedade mais igualitária. 

As letras são marcadas por um forte discurso político, cita líderes do movimento negro, como Marielle Franco, Martin Luther King, Malcom X, entre outros que foram assassinados por defenderem os direitos dos negros.

Leonardo Littieri também acompanha o rap desde a sua infância. O jovem comenta que sentimentos foram despertos nele, ouvindo a obra: “quando cita símbolos da cultura negra, ele te chama, enquanto, negro a fazer parte dessa luta, se engajar, querer mudar isso. Despertar essa vontade de mudança, de não ser passivo e querer realmente fazer a diferença, de ser a diferença”.

Bikila navega nas letras e escreve sobre nomes de ruas e estátuas no Brasil que estão associadas ao racismo: “Vamo (sic) derrubar o nome dessas ruas, dessas estátuas. Botar herói de verdade nessas praças”, exemplificando que, hoje, há muitos valores invertidos no país e precisamos de um “líder” responsável pelos outros olhares, como diz Polly Marinho, na introdução do álbum.

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