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Como um ano de pandemia afetou a saúde mental das pessoas

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Pedro Guarache (3º semestre)

 

No dia 13 de março de 2020, o Ministério da Saúde decretou os critérios de isolamento e quarentena que foram aplicados em todo o território nacional, por causa da pandemia do coronavírus. Não se sabia o que iria acontecer, mas, no início, o entendimento era que seria uma quarentena de uma semana, no máximo 15 dias, e que então tudo voltaria ao normal. Não foi o que aconteceu.

Hoje, passado mais de um ano do começo da pandemia e das medidas restritivas aplicadas (uso de máscaras, distanciamento social e isolamento), todos ainda são orientados a ficar em casa, longe de amigos e familiares e, muitas vezes, sozinhos. Apesar de serem medidas necessárias, a situação desestabilizou o estado emocional das pessoas de uma forma que ninguém poderia prever.

A psicóloga Letícia Rodrigues Farineli, da cidade de Sorocaba (SP), afirma que a procura por ajuda aumentou 70% desde o início da pandemia. “Não para de chegar gente pra mim, não estou dando conta. Comecei a trabalhar aos sábados, algo que eu não fazia antes”, afirma.

Já o psiquiatra Gabriel Elias Coll, de Botucatu (SP), disse que seus pacientes aumentaram 30%. Neste caso, muitos pacientes intensificaram os sintomas que já tinham antes, como alerta Gabriel.

Esse é o caso de Bruna Loli e Júlia Innocenti, de 20 e 21 anos respectivamente. Ambas declararam que já tinham sintomas de depressão e/ou ansiedade, contudo, a  pandemia os agravou e as obrigou a procurar por uma ajuda psicológica.

Apesar de ter passado um ano da pandemia, o número de pessoas que procuram ajuda é uma constante desde o início, mesmo que por motivos diferentes. Ambos os especialistas, Farineli e Coll, afirmam que, a princípio, as pessoas procuravam ajuda por medo do coronavírus, de perder pessoas que amam, ou de não saberem lidar com a doença. Agora, passado um ano, grande parte da procura por ajuda profissional é impulsionada pelo isolamento social e pelo sentimento de solidão causado.

Outra questão perceptível é que entre os jovens o que mais afetou é a falta de perspectiva. É o que diz o estudante de jornalismo Luca Ioni, de 20 anos. “Eu comecei a ficar mais preocupado, principalmente com a faculdade, porque a gente está vivendo a melhor época da nossa vida, aproveitando, e eu fiquei preocupado de como ia desenrolar, então eu fiquei mais decepcionado do que com medo”, conta.

Já para a estudante de curso pré-vestibular, Naira Mastranjo, 19 anos, o que mais afetou sua saúde mental foi a incapacidade de visualizar um futuro concreto.  “O meu ano deveria ser destinado inteiramente a estudar para o ENEM. Com a pandemia, minhas aulas foram paralisadas, eu não sabia quando seria a prova e até se a prova seria mesmo aplicada”, comenta.

As preocupações são diferentes para pessoas mais velhas. É o exemplo de Maria do Carmo Cicolin, 54 anos, que disse que o ponto da pandemia que mais a afetou foi o medo. “Estava próximo do meu filho voltar a São Paulo e desenvolvi a síndrome do ninho vazio. Em minha cidade somos só nós da família, meu marido trabalha e eu cuido dos afazeres. Sinto falta dos filhos por perto, apesar de sermos muito unidos, mas a angústia chega de repente e tudo fica estranho”, conta.

O único ponto de convergência entre as pessoas que sofreram e ainda sofrem durante a pandemia, independente da idade, é o quanto a terapia os ajudou. As observações de quem recorreu à terapia são similares. O autoconhecimento proporcionado, o olhar mais esperançoso para a pandemia, além da ajuda para controlar a ansiedade e depressão são pontos fundamentais.

Para manter a saúde mental enquanto a pandemia não acaba, os especialistas e pacientes deram algumas dicas de atividades para fazer em casa para se distrair e ocupar a mente. Exercícios físicos, meditação, leitura, passar um tempo com seus animais de estimação e manter algum tipo de contato com as pessoas que você gosta foram as mais citadas, além, é claro, de procurar ajuda profissional quando necessário.

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