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Autores do livro Enciclopédia Negra conversam com alunos de jornalismo da ESPM-SP

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Luana de Andrade (1º semestre)

Lilia Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes, autores do livro Enciclopédia Negra, participaram de um evento online organizado por alunos do Laboratório de Formatos Híbridos de Jornalismo da ESPM (LabFor) na última quinta- feira, 6 de maio. Na conversa mediada pelo professor André Deak, Lilia e Flávio explicaram os critérios de escolha dos mais de 500 nomes que integram o livro, o maior estudo já publicado no Brasil sobre o tema.

O professor André Deak, coordenador do LabFor, abriu a conversa falando sobre o projeto de mapeamento de personalidades negras importantes para a história do Brasil, que vem sendo realizado por alunos do Laboratório em parceria com a Uneafro e com a UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia). Em seguida, os autores do livro falaram sobre os parâmetros adotados para a elaboração da Enciclopédia.

Flávio e Lilia destacaram na conversa a busca pela equidade de gênero e pela inclusão de personalidades de diferentes regiões e gerações. Também pontuaram a preocupação em incluir personagens pouco valorizados. “Pelo menos 60% dos personagens do livro são pouco ou completamente não conhecidos e esse foi o grande ‘barato’ de fazer essa pesquisa ao longo de 5 anos”, contou Flávio Gomes.

Os autores falaram ainda sobre o processo de pesquisa, que envolveu a leitura de documentos de diferentes épocas. Teses, dissertações acadêmicas, jornais e até mesmo relatos orais foram utilizados para a construção dos verbetes que, segundo Lilia, assemelham-se a ensaios.

Por fim, Flávio ressaltou a importância de políticas de ação afirmativa para combater o racismo estrutural e o papel da Enciclopédia Negra como material histórico para ser utilizado em trabalhos posteriores.

Leia a entrevista com o professor André Deak sobre o projeto de mapeamento de personalidades negras

Portal de Jornalismo: Como surgiu a ideia do projeto?
André Deak: O projeto surgiu dentro do LabFor na pauta que trabalhávamos junto com a Revista Plural sobre racismo. A ideia original era fazer apenas uma coleção das listas de personalidades negras importantes que já existiam na internet, mas nós percebemos que, na verdade, não existiam muitas listas e as que existiam traziam os mesmos nomes. Na Wikipedia, por exemplo, tinha uma lista com pouco mais de 100 pessoas, contudo sabemos que só no campo da música, das artes ou do futebol há muito mais.

PJ: Qual a relevância social do trabalho?
AD: Gerar visibilidade para uma população que se manteve invisível devido ao racismo estrutural que existe em todas as instituições, inclusive na Wikipedia ou nas universidades. Apesar de uma lei que obriga o ensino da história africana no Brasil, isso ainda não é aplicado. Se formos incitados a dizer o nome de 10, 15 ou 20 pessoas importantes da história do Brasil, teremos dificuldades e, provavelmente, ficaremos com Machado de Assis, atores e pessoas do campo da cultura, sendo que em todas as áreas existem pessoas importantes. Então, a relevância social é não só garantir um projeto que dê visibilidade a essas pessoas que historicamente foram apagadas ou embranquecidas, mas também trabalhar em um projeto antirracista dentro da própria ESPM, fazendo com que pessoas majoritariamente brancas tenham acesso e conhecimento sobre mais histórias e personalidades.

PJ: Qual a principal dificuldade para mapear as informações que serão utilizadas?
AD: A dificuldade para mapear as informações é, primeiramente, em relação às fontes. Uma simples pesquisa na internet não resolve a questão, então nós estamos concebendo quais são critérios para buscar essas fontes. Pessoas de comunidades distantes, por exemplo, podem muito bem garantir que determinadas personalidades são importantes para a construção histórica daquele local, porém essas pessoas não estão citadas em lugar nenhum. Então, como investigamos isso? Assim entra um trabalho de jornalismo e história. É nesse contexto que estamos trafegando e, por isso, fizemos a conversa com a Lilia Schwarcz e com o Flávio, autores da Enciclopédia Negra, para entender como eles fizeram esse mapeamento para o projeto deles, que levou mais de cinco anos.

PJ: Quando será finalizado o que foi traçado como objetivo do projeto?
AD: O nosso projeto não tem prazo para acabar. A ideia é que seja um trabalho permanente dentro do LabFor e que, a cada semestre, a gente vá acrescentando personalidades. Não tem quantidade final de pessoas, o objetivo é que seja um processo de educação antirracista.

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