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Abraji e OAB organizam live para falar sobre segurança aos jornalistas

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Gustavo Fongaro e Sophia Olegário (3º semestre)

“Nenhum cidadão comprometido com a democracia pode tolerar ataques a jornalistas”. Assim, Marcelo Trasel, membro-diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), iniciou a live organizada pela própria associação juntamente com a Ordem dos Advogados Associados (OAB) e apoiada pela ESPM e pela Faculdade de Direito da USP, nesta quarta-feira (27). O seminário teve o intuito de debater a liberdade de imprensa e  fornecer orientação jurídica básica a jornalistas vítimas de ameaça e assédio virtual e presencial. 

A iniciativa foi criada tendo em vista o aumento dos ataques direcionados a profissionais da imprensa nos últimos meses, especialmente durante a Pandemia causada pelo novo Coronavírus. Participaram do evento ministros do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, o Procurador-geral da República, Augusto Aras, o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, o coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa da OAB, Pierpaolo Cruz Bottini, o presidente da Abraji, Marcelo Träsel, o diretor da Faculdade de Direito da USP, Floriano de Azevedo Marques Neto e a repórter especial da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. 

Algumas das falas com maior repercussão no chat de interação em tempo real da live foram as de Patrícia Campos Mello e Alexandre de Moraes. A jornalista citou ataques feitos por apoiadores do presidente sofridos por causa de sua profissão. Comentou também sobre informações falsas dos mais baixos níveis, com machismo e misoginia, divulgadas pelo “gabinete do ódio”, que acaba fomentando ataques verbais e até físicos de seus seguidores às jornalistas mulheres. Já o ministro iniciou sua fala citando a ascensão do populismo no cenário político internacional. “Toda tirania se iniciou atacando um dos três pilares, a exemplo da ditadura militar”. Alexandre também afirmou que nenhum poder público ou qualquer órgão pode cercear o direito das pessoas falarem, porém, uma vez que o usem para ofender, terão de arcar com suas responsabilidades.

O ministro do STF e do TSE, Luís Roberto Barroso, citou em sua fala Vladimir Herzog, e lembrou de quando participou do movimento estudantil na época da ditadura militar, protestando contra o regime e relembrando a censura da época. Ainda sobre esse período, criticou também os ataques realizados atualmente pelo governo e seus apoiadores aos jornalistas: “A liberdade de expressão em geral e de imprensa, em particular, tem que ser tratada com preferência em uma democracia.” O ministro também frisou a importância das redes sociais, da imprensa e da sociedade no combate às fake news,  elogiando a imprensa profissional, falando que ela está sofrendo um “revival”, pois “se tornou vital em tempos de pandemia”.

Em meio a atual situação em que o país está, o encontro focou em questões de liberdade de expressão e nos recentes acontecimentos envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores e a imprensa. Dessa forma, tornou-se necessário que órgão responsáveis, como a Abraji e a OAB, se juntassem em prol da segurança dos profissionais da comunicação, deixando claro que os jornalistas jamais se calarão frente a um governo opressor.

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