Ser Mulher na Dança: “Seja você mesma e se posicione pelo que acredita”, diz Mel Firetti:
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Com quase 3 milhões de seguidores, a influenciadora e dançarina compartilhou bastidores da profissão e a importância do posicionamento feminino em evento na faculdade.
Beatriz Rigoli

Foto: Julia Delgado
Dançarina e influencer Mel Firetti, durante a palestra realizada na ESPM
“Seja você mesma, use o que você gosta e não tenha medo de se posicionar pelo que acredita. Não dê ouvidos à opinião alheia; o posicionamento é o que mais ajuda”. Foi com este conselho que a influenciadora e dançarina Mel Firetti abriu sua participação durante a Semana da Mulher da ESPM. O evento, organizado pelo Centro Acadêmico 4 de Dezembro (CA4D) e pelo Diretório Acadêmico Guerreiro Ramos (DAGR), trouxe a criadora de conteúdo para discutir os bastidores de uma carreira que une arte e estratégia digital.
Do Ballet Clássico ao Hip Hop
A dança está no DNA da Mel. Filha de pai baterista e mãe proprietária de escola de dança, ela começou no ballet clássico aos três anos, uma técnica que refinou ao longo de uma década. Mas a “virada de chave” na carreira veio ao ingressar em uma escola em São Paulo focada em Hip Hop e Jazz Funk. Foi nesse momento que decidiu transformar a paixão em ofício.
A transição, porém, veio com um desafio familiar: ao comunicar a decisão, recebeu de sua mãe um prazo de um ano para viabilizar financeiramente a nova carreira. O foco deu resultados. Em 2019, Mel começou a produzir conteúdo para a internet e a participar de clipes musicais, o que a levou ao casting da agência Chango — uma das principais referências brasileiras em marketing de influência para o público jovem.
Com o crescimento exponencial de sua audiência, Mel percebeu que seu perfil havia se tornado uma marca consolidada. Para ela, a maturidade profissional veio com a percepção da responsabilidade sobre sua imagem.
“Você nota que a produção de conteúdo virou profissão quando o público passa a te marcar em tudo e pedir referências, desde o que você pensa até onde comprou sua roupa”, explicou aos estudantes.
Essa percepção exigiu escolhas estratégicas, como a curadoria minuciosa das músicas que utiliza e a expansão de seu nicho para o universo da maquiagem, diversificando sua atuação além das coreografias.
Para a dançarina, as redes sociais atuam como ferramentas de democratização para as mulheres. Mel defende que o cenário atual permite que o público feminino ignore pressões externas em favor da própria identidade. “Estamos em uma fase em que as mulheres dizem: ‘é do jeito que eu quiser’. Independentemente de quem gosta, eu vou usar o que eu quiser”, afirmou.
Mais do que números de seguidores ou curtidas, Mel encerrou destacando o valor humano de seu alcance: o impacto de saber que influenciou pessoas a começarem — ou retomarem — a dança. “É um combustível”, finaliza, reforçando que essa troca é sua maior fonte de inspiração.
Reportagem de Beatriz Rigoli e Julia Delgado (1o. Semestre)

