O sonho da primeira Bienal do Livro para uma escritora de romances de fantasia
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Livros escritos por Juliene Mattos, incluindo sua obra mais recente, “Entre Feitiços e Vampiros”. Foto: Julia Porto
Julia Porto (1º semestre)
A fantasia ocupa um espaço cada vez maior no mercado literário, impulsionada principalmente pelo público jovem. Durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o gênero dominou estandes e rodas de conversa, e a escritora mineira Juliene Mattos, aproveitou essa efervescência para fazer a sua estreia no maior evento literário do país.
Aos 42 anos, e com vários livros publicados, Juliene Mattos, apresentou o romance Entre Feitiços e Vampiros (2026) e celebrou o contato direto com novos leitores na sua primeira participação na Bienal.
O livro narra um romance proibido entre um vampiro e uma feiticeira, um enredo em que “o desejo pode ser mais mortal do que a guerra”, contou a própria autora, que sentiu uma recepção calorosa do público. A sua estreia no evento foi um sucesso, Juliene vendeu mais de 200 exemplares, e o título foi o terceiro livro mais vendido pela dua editora, a Flyve, durante a feira.
A história da escritora não começou na ficção fantástica, Juliene é formada em Jornalismo, casada e mãe de três filhos, e também trabalha com educação infantil. Ela acredita que o incentivo à leitura é um pilar fundamental na formação de crianças e jovens. “O ensino acontece de forma natural por meio de histórias que cativam”, diz sobre um princípio que guiou suas obras voltadas ao público infantil, como Contos Embaralhados (2020) e João e o Pé de Sonho (2024).
A jornada da escritora, no entanto, passou por uma transição do universo lúdico infantil para a complexidade da fantasia e do romance. O marco dessa mudança foi o lançamento de A Herdeira do Mar, seu primeiro livro de fantasia. Segundo Juliene, essa virada acompanhou seu próprio amadurecimento pessoal e profissional, despertando a vontade de abordar conflitos, escolhas e emoções de forma mais profunda. “A fantasia sempre me permite falar sobre questões muito humanas através de mundos extraordinários”, reflete a autora.
Além do processo criativo, Juliene discute abertamente os obstáculos de ser mulher no mercado editorial. Ela avalia que, a despeito dos avanços recentes, as escritoras ainda enfrentam barreiras estruturais para consolidar seus espaços. “Ainda é mais difícil para a gente mostrar o nosso valor”, diz, valorizando ainda mais o sucesso que alcançou na sua primeira Bienal em São Paulo.
Apesar de já ter frequentado edições da Bienal em Minas Gerais, a estreia em São Paulo trouxe uma nova dimensão à sua carreira. Presente em todos os dias do evento, ela descreveu o tamanho e a proporção da feira como algo “macro” e intenso. Para Juliene, a imersão foi um “verdadeiro festival de emoções”, marcado pelo reencontro com fãs que já acompanhavam suas histórias e pela alegria de ver novos leitores descobrindo o seu trabalho pela primeira vez.
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