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Mulheres lutam contra o preconceito no jornalismo esportivo

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Luiza Torres, Raeesah Salomão e Tatiana Hamer (1º semestre)

Jornalistas e estudantes da área falam sobre as dificuldades enfrentadas na profissão

 

A cultura do assédio é recorrente em nossa sociedade devido à estrutura patriarcal e está presente no jornalismo esportivo. Essa é a visão de estudantes e de professora. Segundo elas, no meio esportivo as mulheres são colocadas como inferiores em relação aos homens. Também entra em cena a diferença entre os conteúdos abordados sobre os esportes femininos e masculinos. Porém, apesar de ainda ser muito desvalorizada, a representatividade feminina no jornalismo esportivo está crescendo a cada dia.

Segundo pesquisa realizada pela jornalista Renata Cardoso Nassar, 85,65% das profissionais já sofreram preconceito no jornalismo esportivo, sendo 38,46% relatos de assédio como o principal constrangimento. Isto é, além das mulheres se sentirem constrangidas nos estádios, na rua e em diversos lugares, também se sentem em seu local de trabalho.

Como exemplo disso, há a situação ocorrida com a repórter Bruna Dealtry, que fazia parte do antigo canal Esporte Interativo, hoje TNT Sports. Ela estava cobrindo a festa da torcida vascaína na estreia da Copa Libertadores da América, em março de 2018, quando foi beijada à força por um torcedor. Apesar do constrangimento agiu profissionalmente e continuou a transmissão.

Repórter Bruna Dealtry em cobertura da festa da torcida vascaína – Imagem: Reprodução do Facebook

As estudantes de jornalismo Isabella Pascucci e Valentina Alayon, do Tagarelando Futebol, projeto que visa incluir as mulheres no assunto de futebol por meio das redes sociais, sempre mostraram interesse pelo esporte e acreditam que os dois maiores desafios no jornalismo esportivo são os comentários e ambientes machistas na televisão e rádio. “Ainda pressionam muitas mulheres a não seguirem carreira”, citou Isabella. Entretanto, mesmo com todas as dificuldades nunca pensaram em desistir da área, mas sim em como poderiam agir para fazerem a diferença.

Isabella Pascucci e Valentina Alayon, do Tagarelando Futebol – Imagem: Reprodução do Instagram

A professora de Edição e Produção de Rádio da ESPM, Patrícia Rangel, conta que já sofreu preconceito em sua carreira de jornalista esportiva. “Existiam pouquíssimas mulheres que trabalhavam na área, era um meio bastante machista. E o rádio ainda mais. Eram pequenas situações que me deixavam bastante incomodada, do tipo eu levantar a informação, checar e sempre algum homem é que tinha que checar novamente porque não confiavam 100% no trabalho”. De acordo com a professora, foi um processo até perceber que o problema não era o seu trabalho, mas sim o fato de ela ser mulher.

Ademais, afirma que além de ser vítima de preconceito no jornalismo esportivo, foi em outras áreas na redação. Na década de 1990, não era tão comum falar abertamente sobre esse assunto, o que resultou em um sofrimento calado. “Eu também não sabia como buscar ajuda e tinha vergonha de dividir isso com outras pessoas. Fui aconselhada a não falar nada porque podia custar meu emprego já que o cargo do tal ‘assediador’ era de chefia. Logo depois eu saí de onde estava trabalhando”, conclui Patrícia.

Para as estudantes Isabella e Valentina, a representatividade feminina no jornalismo esportivo está, felizmente, crescendo a cada dia, reforçando a presença e o interesse das mulheres, e a confiança de que são, assim como os homens, extremamente capazes de falar sobre o esporte.

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