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Jornalismo em ano pré-eleitoral: como se preparar para as eleições de 2026

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No Congresso da Abraji, jornalistas discutiram o que a eleição de Trump prevê sobre a disputa presidencial de 2026 no Brasil (Foto: Gabriel Oliveira/Abraji)

Isabelle Santos (3° semestre)

Com o ano eleitoral se aproximando, jornalistas, especialistas e profissionais do jornalismo se reuniram no 20° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, que ocorreu na ESPM-SP nos dias 10 a 13 de julho, para debater os desafios que a imprensa brasileira deve enfrentar no ano pré-eleitoral. 

Em um cenário marcado pelo avanço do autoritarismo, pela crise democrática e pela influência internacional, sobretudo dos Estados Unidos, a cobertura política exige preparo, rigor e estratégias sólidas para informar a população de maneira clara e objetiva. 

Sinais de alerta para as eleições de 2026 

Na mesa “Aquecendo os motores: como cobrir política e governo no ano pré-eleitoral?”, composta pelos jornalistas Basília Rodrigues, Fábio Murakawa (Jota), Míriam Leitão (TV Globo) e mediada por Maiá Menezes (O Globo), o debate focou na necessidade de distinguir o que é verdade do que é mentira em meio a um ambiente digital no qual os fatos estão sob constante ataque. 

A jornalista Míriam Leitão destacou: “Não há guerras de narrativas, há apenas uma verdade”. A declaração reforçou a responsabilidade do jornalismo em buscar e defender a verdade, mesmo quando a desinformação e versões distorcidas ganham espaço nas mídias digitais e nos discursos públicos. 

Os participantes observaram que o Congresso Nacional atualmente abriga uma parcela significativa de parlamentares que atuam de maneira “extravagante”, muitas vezes sem prestar contas à sociedade. Além disso, o orçamento destinado ao Legislativo tem crescido sem que haja benefícios claros para a população. Esse contexto, aliado ao presidencialismo de coalizão, em que o presidente precisa formar alianças para governar, torna o cenário político ainda mais complexo para a cobertura jornalística, exigindo um cuidado maior na apuração das informações. 

Além disso, a mesa ressaltou que as narrativas políticas exercem influências para além dos governos, permeando debates sobre desigualdade, perspectivas sobre a situação do país e, sobretudo, moldando o eleitor. Diante disso, os participantes  reafirmaram o papel do jornalismo como defensor dos fatos, da liberdade e da democracia, focado em transmitir uma informação ética, rigorosa e transparente. 

Cobertura em tempos de crise democrática

Em outra mesa, intitulada “Crises democráticas e autoritarismos: caminhos e desafios da cobertura jornalística”, os jornalistas Hugo Alconada Mon (La Nación), Nelson Rauda Zablah (El Faro) e Tolu Olorunnipa (Washington Post), que acompanham líderes como Javier Milei, na Argentina, Nayib Bukele, em El Salvador, e Donald Trump, nos EUA, discutiram os desafios impostos ao jornalismo em contextos de crise democrática e autoritarismo. Eles destacaram a importância das proteções constitucionais que garantem a liberdade de imprensa, presentes tanto na Constituição dos Estados Unidos quanto na brasileira, como um dos pilares fundamentais para o funcionamento do jornalismo. 

Como exemplos dos obstáculos enfrentados, eles também ressaltaram o controle exercido por Trump sobre a mídia e as tentativas de interferir no trabalho da imprensa. Para superar esses desafios, os especialistas recomendaram que os jornalistas mantenham o foco nos fatos, compreendam seu papel como serviço público  e assegurem a própria segurança durante a cobertura. 

Além disso, apontaram a importância da checagem rigorosa das informações e do uso de novas tecnologias que auxiliem na identificação de conteúdos falsos e manipulações. A construção de alianças entre veículos de comunicação foi destacada como uma estratégia fundamental para fortalecer a cobertura e compartilhar dados e apurações relevantes. Por fim, ressaltaram a importância de processos claros de publicação e auditoria dos conteúdos para garantir a qualidade e a transparência do jornalismo.

Influência internacional 

O impacto do cenário político internacional, sobretudo dos Estados Unidos, esteve como foco também nas discussões da mesa composta por Beatriz Bulla (Rede TV!) e Marina Dias (Washington Post), com o título de “O que a eleição de Trump prevê sobre a disputa presidencial de 2026 no Brasil?”. 

Reforçando a influência internacional no contexto político interno, as especialistas afirmaram que com o tarifaço — uma série de impostos e barreiras comerciais a produtos brasileiros — anunciado por Trump, as eleições de 2026 já começaram no Brasil. Isso porque a medida deve impactar diretamente a economia brasileira, e, consequentemente, a decisão dos eleitores, uma vez que a economia e a inflação estão entre os critérios mais relevantes na decisão do voto. “Se essa taxação realmente entrar em vigor, isso poderá ser um elemento decisivo para o eleitor”, afirmou Marina Dias, repórter do Washington Post. 

Outro ponto enfatizado na mesa foi a necessidade de, durante as eleições, a cobertura jornalística focar no eleitor e não apenas nos palanques políticos. Grupos de eleitores nordestinos, mulheres, produtores do setor agropecuário, setores da classe média e evangélicos foram citados como públicos importantes que possuem mais influência nos votos e que precisam de uma análise cuidadosa para guiar melhor o trabalho dos jornalistas.

Dicas para a cobertura jornalística no ano pré-eleitoral 

Segundo os especialistas das diferentes mesas, com a proximidade do pleito de 2026, jornalistas precisarão se apoiar em técnicas rigorosas, colaboração entre redações e atenção redobrada aos sinais de crise democrática. Diante da desinformação e da instabilidade política, o compromisso com os fatos e com o serviço público segue sendo a principal ferramenta da imprensa na defesa da democracia, e o especialistas recomendaram que jornalistas adotem uma postura crítica e estratégica. 

Entre as orientações práticas, Hugo Alconada Mon, secretário editorial do jornal La Nación, reforçou que o trabalho jornalístico deve ser pautado pela checagem rigorosa, transparência e pela colaboração entre os veículos de comunicação para enfrentar os desafios crescentes da desinformação e dos ataques à imprensa. 

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