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Facebook mudou cara dos programas de rádio, diz Paulo Galvão

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Paulo Galvão no estúdio da rádio Bandeirantes. Foto: Laís Cebolini Guidi

 

Formado pela Faculdade Cásper Líbero, Paulo Galvão trabalha, atualmente, nas Rádios Bandeirantes e Bradesco. Em entrevista ao Portal de Jornalismo da ESPM-SP, o jornalista discute suas atividades, o quadro atual do radialismo no Brasil e a importância da opinião pública na definição da programação das emissoras.

Portal de Jornalismo – Qual o perfil da rádio Bandeirantes? O que você pode falar do histórico dela?

Paulo Galvão – A Bandeirantes surgiu há 75 anos e é uma das principais emissoras do país. Tem um público muito diversificado, diferentemente de outras, como a Jovem Pan.

A gente pega todo o espectro, o público e a programação são bastante diversificados e o foco é na prestação de serviço, como em todas as rádios jornalísticas. A rádio veio do AM e há muito tempo já está no FM também. Além disso, o Grupo Bandeirantes tem muita força no esporte e a rádio não podia deixar de estar nesse segmento.

Portal – A Bandeirantes continua em primeiro lugar em audiência entre as rádios jornalísticas?

Galvão – O índice de audiência no Ibope é medido todo mês e é sempre comparável à variação dos últimos três meses. Não tem como dizer que estamos em primeiro, mas, nos últimos tempos, a Bandeirantes tem ficado à frente, em diversos horários, de suas principais concorrentes que possuem programação semelhante, como Jovem Pan, Band News FM, CBN e Estadão ESPN. O Ibope tem uma importante função para o negócio: durante as visitas aos clientes, o departamento comercial da rádio mostra esses dados. Com base neles, o cliente escolhe em qual programa investir.

Portal – Qual o público-alvo dos seus programas?

Galvão – Todos os que ouvem rádio no Brasil e, também, no mundo, por meio da internet. O que posso dizer em relação aos meus programas é que o Jornal em Três Tempos é um informativo das três às seis da tarde, durante a semana; por isso, é muito mais focado no hard news, no factual, nas coisas que estão acontecendo em São Paulo, na prestação de serviço, no trânsito, no mercado financeiro, na previsão do tempo, nas coisas que acontecem na política e na esfera de segurança pública, por exemplo.

Já o Bandeirantes Acontece tem um perfil completamente diferente – é um programa para terminar o domingo. Tenho procurado fazer um programa voltado para o entretenimento também, um negócio mais leve, com entrevistas de comportamento, saúde, música, para a pessoa relaxar no final do domingo.

Portal – Vocês utilizam pesquisas de opinião para ajustar o programa ao gosto do ouvinte?

Galvão – A melhor pesquisa de opinião pública que existe para a gente são as redes sociais. Utilizamos muito o Facebook durante o programa. Fazemos perguntas, “jogamos” tudo na fanpage da rádio e nas nossas páginas pessoais também. São feedbacks que temos na hora, sentimos se o assunto está interessando ou agradando o ouvinte. O programa mudou muito de dois anos para cá devido ao advento do Facebook. As redes sociais são ferramentas importantíssimas para os comunicadores. Elas permitem a participação do ouvinte, e ele adora interagir. Ler a opinião que o ouvinte deu é cativá-lo. A participação do público torna o programa muito mais agradável, além de ser importante termos diferentes visões.

Portal – Qual dos seus dois programas tem maior audiência e por quê?

Galvão – Quantitativamente, em números absolutos, o Jornal em Três Tempos tem mais audiência, porque é um programa à tarde, durante a semana. Na verdade o horário que a rádio tem mais audiência é o da manhã, das 7h às 10h, quando o ouvinte está saindo de casa e indo para o trabalho. Esse é o pico. Na hora do almoço, a audiência cai um pouco e volta a subir à tarde. Entre 18h e 20h as emissoras que não apresentam a Hora do Brasil também têm outro pico de audiência, pois os ouvintes estão voltando para casa. Entretanto, se você for comparar, o Bandeirantes Acontece tem uma liderança mais folgada em relação ao segundo lugar.

Portal – E a rádio Bradesco?

Galvão – É uma emissora que tem poucos meses, começou em maio, então ainda não sei como está a audiência. Na rádio, para você começar a ter uma audiência significativa, são necessários anos. Só depois de mais ou menos cinco anos que você começa a perceber o que as pessoas estão ouvindo bastante, porque rádio é costume. A pessoa que está acostumada a ouvir a rádio Bandeirantes há 40 anos dificilmente vai mudar de emissora, afinal ela está acostumada com as pessoas que nela trabalham. Tem gente que está aqui há quase 50 anos no ar. Essa questão da tradição é muito importante.

Portal – Quais são os principais concorrentes do Jornal em Três Tempos e do Bandeirantes Acontece?

Galvão – Em ambos, as principais rádios concorrentes são a CBN e a Jovem Pan. A antiga Eldorado, que agora é Estadão ESPN, tem uma programação bastante semelhante à nossa, mas os índices são bem menores (comparados aos da rádio Bandeirantes). Na Band News FM, a audiência também ainda é baixa, mas ela faz um ótimo trabalho, semelhante ao nosso.

Portal – Como é feita a escolha dos entrevistados dos programas?

Galvão – No Bandeirantes Acontece eu entrevisto muitos médicos, filósofos, psicólogos… gosto do tema e, por isso, tem até um quadro chamado “Papo Cabeça”. Tomo muito cuidado ao pegar este tipo de profissional, escolho pessoas que sejam ligadas às universidades, porque assim eliminam as chances de o ouvinte achar que queremos fazer alguma propaganda para aquele profissional. Isso não existe aqui na rádio Bandeirantes. As pessoas que são fontes estão falando justamente porque têm o que dizer, embasamento teórico, prático para falar. Ao longo do tempo a gente vai formando um banco de entrevistados. E é lógico que há outras entrevistas que são de acordo com o factual –  algum acontecimento político, por exemplo.

Portal – Você comentou que ainda não existe nenhum panorama sobre a rádio Bradesco por ela ser muito nova. Houve alguma pesquisa para que ela fosse criada ?

Galvão – Em relação à pesquisa eu não sei, mas tenho certeza que a criação da rádio tem muito a ver com o momento que estamos vivendo no Brasil, com eventos como a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas de 2016. Havia uma demanda muito grande por uma emissora esportiva. Hoje, eu sinto que as pessoas estão ouvindo, acompanhando, gostando. Acho que foi uma aposta muito boa, tanto do grupo Bandeirantes como do Bradesco, que com certeza irá, pelo menos, até 2016. E eu espero que persista.

Giovanna Mazzeo e Laís Guidi (2º semestre)

 

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