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Estreia do grupo de teatro Tangerina convida a refletir sobre o tempo

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Cartaz da peça "O que faremos com o ontem?". Divulgação.
A diretora Lorena Ferrari e (em sentido horário) as atrizes Bianca Dantas, Maria Goularte, e Olivia Jardim, alunas de cine,a da ESPM. Foto: Ana Clara Ferrari

A diretora Lorena Vilela e (em sentido horário) as atrizes Bianca Dantas, Maria Goularte, e Olivia Jardim, alunas de cinema da ESPM. Foto: Ana Clara Ferrari

Texto e reportagem: Ana Clara Ferrari, Ana Vitoria Antonio, Enzo Braga, Isabella Kishimoto, Enzo Baptistella e Julia Porto, Primeiro Semestre. 

 

Foram semanas intensas de ensaios para preparar a peça “O que faremos com o ontem?”.  A recompensa de todo esse esforço chega ao palco neste final de semana com este espetáculo, que é a primeira montagem do ano do Grupo Tangerina, coletivo formado por estudantes da ESPM. A peça estreia neste sábado, 22 de agosto, às 19h, e terá uma segunda apresentação no domingo, 23 de agosto, às 18h, no Teatro ESPM, na sede da universidade em São Paulo. 

A obra aborda o Tempo como seu tema central e tem como proposta demonstrar em cada cena, uma passagem única sobre as diferentes formas de ver, viver e sentir a passagem das horas e as emoções que carregamos do passado e projetamos para o futuro. Nessa passagem pelo tempo, o roteiro toca outros temas profundos e reflexivos, como a sexualidade acima dos 40 anos. O objetivo principal da montagem é provocar o público sobre a maneira de encarar a vida, seja pela idade que se tem ou pelos ponteiros do relógio.

Para construir a peça sobre o tempo, cada um dos participantes foi costurando no roteiro a sua visão e os vários significados que esse tema envolve. “Nenhuma cena tem nada a ver com a outra, são todas diferentes, mas elas falam sobre tempo de alguma forma, e é isso que une o roteiro”, conta Olívia Jardim, estudante de cinema do segundo semestre e uma das atrizes que participará da estréia deste final de semana. 

As peças do Tangerina não seguem uma cronologia como no formato do teatro tradicional, porque são feitas com muitos atores, conta a atriz Bianca Dantas, também aluna de cinema da ESPM, e outra das atrizes da peça. “Não segue o formato de uma peça tradicional, como o Auto da Compadecida”, compara sobre a apresentação, que tem mais de 40 personagens em cena e umas 20 nos bastidores. “Todo mundo tem a mesma participação, não tem um protagonista, é todo mundo igual”, conta Bianca, que faz parte do grupo desde o semestre passado. 

A estudante, que se considera tímida, encontrou no Tangerina um espaço de acolhimento, e gostou tanto que convenceu outras estudantes de cinema a se juntar à trupe. “Eu fui e me apaixonei pelo grupo, as pessoas são incríveis”, conta Maria Goularte, uma dessas alunas convidadas por Bianca, assim como Olívia. “Com certeza, vou ficar no Tangerina até o final do meu curso”, conta.

Cartaz da peça "O que faremos com o ontem?". Divulgação.

Cartaz da peça “O que faremos com o ontem?”. Divulgação.

Uma organização livre e horizontal

A forma em que o grupo Tangerina se organiza é uma das coisas que chama a atenção entre os alunos que se inscrevem para participar. Alunos  da ESPM podem se inscrever no Tangerina sem processo de seleção e ganhar até 72 horas ACOM, mas a participação exige dedicação e compromisso, quem tem mais de duas faltas é convidado a se retirar. O grupo de Teatro Tangerina existe tem 36 anos de história e foi fundado em 1990 na ESPM pelo ator Dan Stulbach, conhecido ator de teatro e televisão, junto a amigos da faculdade. Desde então o projetotem se consolidado como um espaço de acolhimento e expressão artística universitária.

“Essa horizontalidade é muito importante. Desde 2017, implementamos gestores, que são as pessoas que estão à frente do cuidar desse grupo”, explica uma das diretoras do grupo, Lorena Vilela, sobre as funções que vão desde a troca institucional com a ESPM, a reserva do teatro para fazer a peça, e a captação de recursos para viabilizar os projetos. E é aí que entram os diretores, todos eles formados pelo grupo, com pelo menos dois anos de experiência como atores no Tangerina, e que seguem estudando teatro de forma livre ou profissional. “E seguimos estudando. A gente nunca parou de estudar”.

“O Tangerina foi onde eu tive meu primeiro emprego como produtora, e onde eu comecei a entender o que eu queria fazer da minha vida”, diz Lorena Vilela, uma das cinco diretoras do Tangerina e a integrante mais antiga do grupo atual. Lorena, que trabalha voluntariamente assim como todos os integrantes, está no grupo desde 2007, quando entrou na ESPM para estudar comunicação social, com habilitação em publicidade e propaganda. Ela se formou, mas não deixou o grupo. Ela entrou como atriz e, hoje, é, além de publicitária, diretora teatral e produtora cultural.

“Estou aqui até hoje, porque é o projeto mais importante da minha vida. Eu só sou quem eu sou hoje porque eu passei por esse grupo”, conta a diretora, que encontrou no grupo um espaço para viver a sua sexualidade com liberdade. “Ter o Tangerina nesse processo foi muito importante. Foi minha casa. Um lugar onde eu pude ser muito livre e aberta com as pessoas. E fez uma parte absoluta dessa minha aceitação”, diz a diretora, que é lésbica.

Essa liberdade e o acolhimento frente a uma sociedade e espaços que discriminam a diversidade é um dos pontos mais elogiados pelos integrantes. “O Tangerina segue sendo esse grupo que acolhe, que te proporciona um espaço onde você pode ser sempre você mesmo, e onde a nossa regra principal é que, aqui dentro, você não pode julgar”.

SERVIÇO
Espetáculo: “O que faremos com o ontem?” – Grupo de Teatro Tangerina
Datas e Horários: Sábado, 22 de agosto, às 19h; e domingo, 23 de agosto, às 18h.
Local: Teatro ESPM (Rua Doutor Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, São Paulo – SP).
Ingresso: Entrada gratuita.
Atenção: É solicitado que o público chegue com meia hora de antecedência. Após o fechamento do auditório, a entrada não será mais permitida.

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