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Especialistas analisam o impacto de cinco anos da SAF no Brasil

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(Legenda: Alex Bourgeois, Rodrigo Monteiro de Castro, Marcelo Crespo (coordenador da graduação de Direito), Andrei Kampff e Maurício Lacerda (professor de Direito da ESPM) | Foto: Ana Vitoria Antonio)

Ana Vitoria Antonio (1º semestre)

 

(Legenda: Alex Bourgeois, Rodrigo Monteiro de Castro, Marcelo Crespo (coordenador da graduação de Direito), Andrei Kampff e Maurício Lacerda (professor de Direito da ESPM) | Foto: Ana Vitoria Antonio)

Na última quinta-feira (27), a ESPM reuniu no auditório Castelo Branco, especialistas, jornalistas, investidores e professores em dois painéis que analisaram os cinco anos da promulgação da Lei da  Sociedade Anônima do Futebol (SAF), e o seu potencial para ajudar os clubes a melhorar sua gestão e reestruturar suas dívidas. 

“No futebol, eles (os clubes europeus) estão no século 21 e nós (os clubes brasileiros) estamos no século 19”, provocou sobre o modelo de gestão o advogado Rodrigo Monteiro de Castro, um dos coautores do projeto que deu origem à Lei SAF no Brasil, e um dos painelistas do encontro, que contou também com as presenças de Alex Bourgeois, investidor e presidente da Portuguesa SAF; e Andrei Kampff, jornalista e advogado especialista em direito esportivo. “A lei da SAF não toca na organização do esporte e nem obriga ninguém (a participar), cada um tem sua realidade, mas podemos abrir essa possibilidade”, afirma Castro.

 

Promulgada em agosto de 2021, a Lei nº 14.193/2021 acabou de completar cinco anos. A regulamentação nasceu como uma proposta para resgatar clubes atolados em dívidas bilionárias. “Desde que a lei foi publicada em 2021, nós vimos o surgimento de 142 SAF com propósitos e finalidades distintas, e muitas outras em curso”, comenta Monteiro de Castro. 

 
Mas a existência das SAF por si só não garante resultados. Os especialistas e convidados presentes afirmaram que a SAF não é um modelo perfeito, porque são necessários investimentos e uma boa gestão. Segundo um estudo da consultoria internacional EY (antiga Ernst & Young), mesmo com 16% dos clubes profissionais tendo aderido à SAF, a dívida dos clubes brasileiros tem crescido 46% entre 2021, quando o projeto surgiu, e 2025, quando esse dado bateu em R$ 14,3 bilhões. 

Segundo uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, que destaca o estudo da EY, o resultado positivo depende de uma boa gestão. O clube Bahia, por exemplo, reduziu suas dívidas em 80%, de R$ 821 milhões em 2024 para R$ 168 milhões em 2025, após uma reestruturação contábil e societária realizada pelo Grupo City, dono do time. Alex Bourgeois, da Portuguesa SAF, acredita que o modelo perfeito de futebol deve seguir um tripé de gestão empresarial que ele chama de “estratégia, cultura e gente”. 

Marcelo Crespo (coordenador da graduação de Direito), Paulo Pedro, Marília Ruiz, Carlos Teixeira, Antonio Rocha Filho (professor de jornalismo ESPM) e Maurício Lacerda (Professor de Direito – Espm) Foto: Ana Vitoria Antonio

Marcelo Crespo (coordenador da graduação de Direito), Paulo Pedro, Marília Ruiz, Carlos Teixeira, Antonio Rocha Filho (professor de jornalismo ESPM) e Maurício Lacerda (Professor de Direito – Espm) Foto: Ana Vitoria Antonio

O segundo painel do dia mudou o foco para a crise de gestão do Sport Club Corinthians Paulista. O debate analisou a viabilidade do projeto “Safiel”, uma proposta que visa incluir o torcedor comum como acionista do clube. Integraram a mesa Paulo Pedro, conselheiro do Corinthians; Carlos Teixeira, um dos idealizadores da Safiel; e a jornalista esportiva Marília Ruiz.

Teixeira abriu o debate relembrando a motivação para criar o projeto. “Eu era um torcedor comum, mais um dos milhões de corintianos indignados e inconformados com o que o atual modelo de gestão conseguiu fazer do Corinthians”, desabafou. O empresário contou que, após contribuir com a “Doe Arena” — vaquinha organizada pela torcida para ajudar a quitar a dívida da Neo Química Arena —, foi convidado a se juntar ao projeto.

A mesa mostrou o distanciamento entre a administração do clube e as arquibancadas. Atualmente, para que um novo associado adquira o direito de votar, ele precisa aguardar um período de cinco anos após a compra do título. Já para concorrer ao cargo de presidente, exige-se que o candidato seja membro vitalício ou tenha cumprido dois mandatos como conselheiro, o que faz com que o caminho para chegar à presidência leve cerca de 11 anos, gerando um distanciamento profundo entre a administração do clube e a torcida. “A administração perdeu a capacidade de representar os interesses do torcedor”, afirma Teixeira

Machismo dentro do futebol

Historicamente, o poder no Corinthians se concentra nas mãos de cinco grandes famílias há quase um século, funcionando como um verdadeiro “feudo” político. A figura do conselheiro “vitalício” foi duramente criticada no painel, sendo apontada como uma prática antidemocrática e inadequada para os dias atuais. Além disso, o direito de voto é restrito apenas ao “sócio zero” (o titular do plano). Dependentes (como esposas, maridos e filhos), mesmo frequentando o clube, participando da comunidade e pagando mensalidades, são impedidos de votar.

A jornalista esportiva Marília Ruiz acredita que o futebol seja a “última barreira do conservadorismo no Brasil.” “De todas as coisas que a gente tenta expurgar da sociedade, o futebol é ainda onde essa turma (conservadora) mais se esconde e domina”.  Marília relatou as dificuldades de ser uma mulher no meio do futebol, que classificou como “absolutamente machista”, e enfatizou a importância da presença e força feminina nas esferas de decisão esportiva.

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