CARREGANDO

O que você procura

Geral Notícias

Banco Central do Brasil comemora primeiros dias do sistema Pix

Compartilhar

Rafael Saldanha (2º semestre)

 

“A primeira semana de implementação do Pix foi espetacular”. A frase é do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre os resultados iniciais do pagamento instantâneo brasileiro (Pix), após a sua abertura ao público geral no dia 16 de novembro. Até o último dia 23, foram movimentados mais de 10 bilhões de reais e agora já são quase 90 milhões de chaves cadastradas pela população, segundo dados do Bacen. Campos Neto completou, em entrevista ao programa “Voz do Brasil”, dizendo que o “sistema veio para ficar”, gerando novos negócios e barateando operações de pequenas empresas.

O Pix é a mais nova tecnologia de sistemas transacionais desenvolvida pelo BC, usando o SPI (Sistema de Pagamento Instantâneo), no qual os pagamentos são transferidos em poucos segundos, a qualquer hora ou dia, o ano inteiro. Ele pode ser realizado por uma conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pré-paga. A nova modalidade de pagamento é um projeto antigo do Banco Central e foi liberado a operações restritas em 3 de novembro, para um público limitado e horário reduzido. Até a estreia oficial no dia 16, as 734 instituições financeiras aprovadas pelo Bacen puderam liberar de 1% a 5% dos seus clientes a utilizarem o sistema e progressivamente aumentar essa porcentagem.

A ferramenta possui características inovadoras que se resumem à rapidez, disponibilidade, gratuidade e praticidade, já que é independente de cartão, cheques e muitas informações pessoais. Estas que não são mais necessárias, por causa da inclusão das chaves. Pelo novo sistema, não é preciso informar ao pagante as informações de agência e conta, basta cadastrar uma chave – celular, CPF, CNPJ, e-mail e/ou um código aleatório – e informá-la. É possível cadastrar todas as cinco chaves, porém elas não são obrigatórias, apenas facilitam os pagamentos.

Luiz Fabiano Saragiotto, sócio-gerente da Journey Capital, falou sobre o impacto da nova tecnologia na economia brasileira, que, em sua opinião, só se beneficia. “O Pix democratiza o acesso ao sistema financeiro, facilitando a adesão às contas digitais sem custo e ajudando a melhorar o ambiente competitivo no setor bancário, que ajuda a reduzir custos e os juros. Ele é um novo impulso ao open banking e ajuda a formalização de micro e pequenos negócios, que podem, a baixos custos, criar alternativas ao recebimento histórico em espécie. Trata-se de uma primeira abertura a um promissor novo mercado, que promete romper paradigmas e acelerar o processo de digitalização. Quanto mais fácil for a circulação de recursos, mais dinâmica pode ser a nossa economia”, disse.

O Pix e o SPI vêm para concorrer com o SPB (Sistema de Pagamento Brasileiro) e o TED (Transferência Eletrônica Disponível), que, até a inovação do pagamento instantâneo, era a principal preferência para transações financeiras. No entanto, o Pix possui diferenças em relação ao outro sistema, já que, utilizando o TED, o pagamento demora horas ou dias para ser efetuado, há um horário limite para as transferências (17h) e não funciona durante fins de semana e feriados. Além disso, com o TED, os pagamentos são taxados de R$8 a R$18, de acordo com o Banco Central.

“Neste momento, são complementares, ainda existem transações financeiras que só podem ocorrer através da TED (exemplo, deposito judicial), mas não tenho dúvidas que, em pouco tempo, será possível utilizar o PIX para as mesmas transações que envolvem clientes e que hoje são feitas através da TED. Vale destacar também que as instituições utilizam o SPB como meio para realizar operações interbancárias, assim, em minha opinião, o SPB deverá ser a ferramenta utilizada muito mais em fluxos entre as instituições financeiras e não para os clientes”, comentou o Superintendente Executivo de Sistemas Transacionais do Banco Santander, Augusto Raphael, sobre a relação entre os meios de pagamento.

Com a novidade desse sistema no mercado, as principais instituições financeiras expandiram suas publicidades e aumentaram o marketing sobre o Pix, em uma tentativa de atrair os clientes para a empresa. Devido à concorrência, os bancos propuseram benefícios às pessoas e clientes que cadastrassem as chaves do Pix pela sua empresa, como estão fazendo Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil.

O executivo do Santander explicou sobre essa competição. “Ao cadastrar a sua chave em um Participante do Sistema de Pagamentos (PSP), você está dando sinais de que pretende centralizar sua movimentação financeira. Os bancos fizeram esta grande ação de comunicação para explicar à população o que é o PIX, e também como forma de tentar atrair e fidelizar seus clientes. Hoje, a população em geral possui grande oferta de instituições para atuarem como agente financeiro, mas devem ficar atenta para escolher parceiros sólidos e que tragam segurança evitando eventuais perdas financeiras”. Sobre a segurança do Pix, Raphael afirmou ser indiscutível, sendo “uma forma revolucionária de pagar e receber”. Saragiotto completou dizendo que não enxerga nenhuma desvantagem no sistema e, além de agilizar, agregar e democratizar as transações financeiras, deixa cada vez mais difícil o progresso financeiro da clandestinidade.

Caio Vianna, estudante, opinou sobre o seu uso do Pix e as facilidades do sistema. “Ele vem para facilitar não só a minha vida como pessoa física e consumidor, mas também a do pequeno e médio empreendedor que sofre com taxas de maquininhas de cartões. Agora, transfiro valores entre contas como se fosse dinheiro vivo e os estabelecimentos não tem mais suas margens comidas por custos com maquininhas. Só estou usando o Pix, sempre buscando menores custos e serviços rápidos. Se houver taxação, seja em impostos ou pelos bancos, o Pix perde parte de seus benefícios e deixa de ser tão interessante”.

A respeito de uma possibilidade de tributação, o ministro da economia, Paulo Guedes, comentou em uma live no último dia 19 que pretende criar um imposto sobre transações financeiras, no caso as digitais, ou seja, incluindo o Pix. Se essa taxação for implantada – após a necessária aprovação do Congresso – o Pix perderá a gratuidade sobre as transferências, um dos principais atrativos aos clientes e um diferencial a outros meios de pagamento. Guedes disse que só irá comentar novamente sobre o assunto após o término das eleições municipais. Com o fim das apurações ontem (29), o ministro deve se posicionar nos próximos dias.

Entenda o Pix (vídeo institucional do Bacen)

Tags:

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *