Legenda: Tempestade se forma na região da Vila Mariana. Foto: Erivam de Oliveira
Bianca Marcondes e Eloá Fernandes (1° semestre)
No último dia 10 de março, uma frente fria chegou a São Paulo após 23 dias consecutivos de temperaturas acima de 30 graus, intercalados com frequentes alertas de tempestades emitidos pela Defesa Civil.
A onda de calor que atingiu a capital na segunda metade de fevereiro foi a quinta do ano, alcançando uma máxima de 34,8°C durante o período – a maior do ano e a mais alta para um mês de março da história, segundo o portal G1. Ao mesmo tempo, a previsão é de que até quinta-feira (14), a precipitação acumule cerca de 20 mm.
A combinação de dias quentes e pancadas de chuva pode ocorrer, entre muitos fatores, devido à geografia, urbanização e poluição da região. Em fevereiro e março de 2025, conforme dados da CNN Brasil, essas chuvas podem estar relacionadas aos eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), em que uma baixa pressão atmosférica favorece a alta disponibilidade de umidade e, quando somada a altas temperaturas, potencializa as chuvas.
Segundo o meteorologista Vitor Takao, em entrevista à Conexão Record News, o encontro de uma massa de ar quente com a frente fria que chega à região pode causar instabilidade no clima, o que contribui para a ocorrência de fortes temporais e diminuição da temperatura – cuja previsão não passa dos 30°C para a próxima semana. O especialista também destacou que podem ocorrer pancadas isoladas ao fim do dia, a partir de 11 de março.
Impacto e prevenção
A população já sente as mudanças climáticas em seu cotidiano. Hugo Gonçalves, 53 anos, motorista particular, em depoimento ao Portal, citou tais alterações climáticas em seu trabalho . Devido ao clima seco e à onda de calor, Gonçalves destacou a mudança do uso do uniforme durante o dia. “Antes era terno, agora permitiram o uso de camiseta e calça no horário de trabalho. Também não consigo mais ficar sem ar condicionado ou ventilador. Preciso estar bebendo (sic) água”, relatou o profissional.
De acordo com Fernanda Rachid, especialista em medicina intensiva e de áreas remotas, em entrevista exclusiva para o Portal de Jornalismo ESPM-SP, a exposição ao calor extremo pode levar à desidratação, insolação e exaustão, além de queimaduras, o que aumenta os riscos à saúde devido aos raios UVA e UVB. Já as mudanças bruscas de temperatura, comuns em tempestades, podem causar queda da imunidade, crises respiratórias e até mesmo hipotermia, quando a pessoa molhada é exposta ao vento.
A profissional destaca alguns cuidados essenciais: “A hidratação deve ser uma prioridade, com o consumo frequente de água e bebidas ricas em eletrólitos, como água de coco ou isotônicos, frutas como melão e melancia para evitar a desidratação. A exposição ao sol requer proteção adequada, incluindo o uso de protetor solar, viseira ou boné e roupas leves e frescas para minimizar o impacto do calor”.