Rafael Peral – 2º Semestre
O aquecimento global, o desmatamento e a poluição de rios e oceanos mostram que a relação entre sociedade e natureza chegou a um ponto decisivo. Diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a sustentabilidade deixa de ser um termo abstrato e passa a ser condição básica de sobrevivência para humanos e demais formas de vida.
Ao longo de milhões de anos, o planeta construiu um equilíbrio entre solo, água, ar e biodiversidade. Florestas ajudam a regular o clima e o ciclo das chuvas, oceanos absorvem parte do dióxido de carbono da atmosfera, polinizadores garantem a produção de alimentos. Quando um desses elementos é pressionado demais, toda a rede sofre. A crise ambiental é, em grande parte, consequência da forma como produzimos, consumimos e ocupamos o território nas últimas décadas.
Para a bióloga Ana Carolina Ribeiro, pesquisadora em ecologia e mudanças climáticas, o meio ambiente não pode ser visto como cenário. “O ar que respiramos, a água que chega à torneira e os alimentos no prato dependem de processos ecológicos em equilíbrio. Quando rompemos esse equilíbrio, a resposta vem em enchentes, secas e ondas de calor que atingem principalmente quem tem menos recursos”, afirma.
Nas grandes cidades, os sinais já são visíveis: ilhas de calor, enchentes rápidas, deslizamentos em áreas de risco e períodos de estiagem mais severos. A forma como lidamos com lixo, transporte, energia e ocupação do solo afeta diretamente o clima local e a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre coleta seletiva, redução de plásticos, energia renovável e mobilidade sustentável em empresas, escolas e governos, embora especialistas alertem que ações isoladas não bastam sem mudanças estruturais.
Para João Paulo Azevedo, coordenador de uma organização social de educação ambiental, sustentabilidade e justiça social caminham juntas. “Comunidades pobres estão na linha de frente dos impactos, mas não são as principais responsáveis pela crise. Quem consome mais e decide investimentos tem obrigação maior de mudar práticas e apoiar soluções”, diz. Cooperativas de reciclagem, hortas urbanas e projetos de reflorestamento são exemplos de alternativas que, com apoio contínuo, podem ganhar escala.
No centro de tudo está a responsabilidade humana. Cada escolha de consumo, cada voto e cada pressão sobre empresas e governos contribui para agravar ou amenizar o problema. Atitudes individuais não substituem políticas públicas robustas, mas ajudam a construir uma cultura de cuidado e a cobrar coerência de quem decide.
Entre alertas científicos e iniciativas inspiradoras, a questão passa a ser se a sociedade será capaz de rever seu modo de vida antes que as consequências se tornem irreversíveis. A sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e se torna um compromisso: reconhecer os impactos das próprias ações, assumir essa responsabilidade e decidir, coletivamente, que futuro queremos para o meio ambiente e para nós mesmos.