Vanessa C. Ingegneri apresentando seu projeto no Quarto Encontro Nacional de Educação Midiática
Kauan Macena e Beatriz Rigoli (1o Semestre)
A ESPM recebeu na quinta-feira 21 o 4to Encontro Internacional de Educação Midiática, um dos principais eventos brasileiros sobre o tema, criado para debater competências digitais e o impacto da tecnologia na educação e na democracia.
A edição, que tinha como tema “Inteligência Artificial e Curricularização da Educação Midiática”, reuniu especialistas nacionais e internacionais, gestores públicos, educadores e comunicadores para discutir temas como desinformação, a criação de conteúdo em diferentes mídias, e os desafios da IA na educação midiática.
O evento, que contou com professores do país inteiro, foi o primeiro desde que a Educação Midiática se tornou obrigatória nos currículos da Educação Básica desde o ano passado, com a Resolução CNE/CEB nº 2/2025. O encontro foi realizado pelo Instituto Palavra Aberta e o programa EducaMídia, com o apoio da UNESCO, da Fundação Roberto Marinho, Porvir, Jeduca e da ESPM.
No Painel 3, “Educação midiática para todos – exemplos práticos”, a professora de Língua Portuguesa, Daiane Barbosa, que dá aula há 12 anos na rede pública estadual de Alagoas, viu a necessidade de envolver seus alunos com a literatura. “Cerca de dois mil alagoanos deixam o estado mensalmente para ganhar a vida no Sul/Sudeste. Os meus alunos estavam hiperconectados, eu tinha que mostrar pra eles que os livros falam sobre a nossa realidade mais do que eles pensam”, contou a professora, que é estre em Educação pela Universidade Federal de Alagoas e especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Academia Alagoana de Letras.
Com o projeto intitulado “de ‘Vidas Secas’ a vidas digitais” realizado por ela para alunos do primeiro ano do Ensino Médio, a professora propôs uma leitura do livro de Graciliano Ramos. Logo após uma discussão sobre os personagens e suas decisões, os alunos criaram em grupos uma página do Instagram para alguns personagens importantes para a trama, onde juntaram o que eles entenderam sobre a leitura e o que já sabiam sobre os funcionamentos dessa rede.
Outro projeto apresentado no encontro foi o da Michelly Freitas, professora de inglês da educação básica, com atuação em uma escola sociointeracionista de Aprendizagem por Projetos. A professora desenvolve práticas pedagógicas investigativas com foco em pensamento crítico, educação midiática e aprendizagem significativa desde a infância.
Em uma atividade com alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental, os estudantes diferenciam o que é verdadeiro (real) ou falso (no caso de um projeto feito com IA). No desafio as crianças escolhiam imagens e justificavam a sua decisão.
Segundo a professora Michelly, as fotos geradas por IA foram consideradas verdadeiras e vice-versa. “Nossa, professora! essa foto está muito perfeita para ser real!”, disse, reproduzindo um dos seus alunos que refletiram sobre o exercício. “Imagina se nós passamos a acreditar na IA e saímos espalhando o que ela está dizendo, sendo que pode ser mentira”, disse Michelly reproduzindo a fala de outro aluno.
Essas e outras palestras do evento foram transmitidas ao vivo no Youtube da TV Futura, e continuam disponíveis nessas plataformas.