Parque do Ibirapuera sente os efeitos do aquecimento global

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Thiago Bittar (2º semestre)

Lago do Parque do Ibirapuera

Símbolo de respiro verde em meio ao concreto paulistano, o Parque do Ibirapuera também está na linha de frente das mudanças climáticas. Nos últimos verões, frequentadores relatam caminhadas encurtadas, corridas mais lentas e busca constante por sombra em horários cada vez menores de conforto térmico. O que antes era sinônimo de alívio virou, em muitos dias, um termômetro a céu aberto do calor extremo na cidade.

Especialistas em clima urbano explicam que áreas verdes como o Ibirapuera ajudam a reduzir a temperatura ao criar ilhas de frescor, mas já não dão conta de compensar o avanço do concreto ao redor, o aumento de veículos e a poluição. Lagos com níveis baixos de água em períodos de estiagem prolongada e gramados ressecados são sinais visíveis de um regime de chuvas mais irregular.

O parque, no entanto, também é espaço estratégico para enfrentar o problema. Projetos de ampliação de áreas sombreadas, plantio de espécies mais resistentes ao calor e campanhas educativas com corredores, ciclistas e famílias podem transformar o Ibirapuera em laboratório vivo de adaptação climática. Cuidar das árvores, usar o parque em horários menos quentes e cobrar políticas públicas para ampliar áreas verdes fora dos muros são passos que começam ali, mas impactam toda a cidade.

Para muitos visitantes, perceber essas mudanças no Ibirapuera é a forma mais concreta de entender o aquecimento global, tema que costuma parecer distante nos relatórios científicos. Quando o lago esquenta demais para os patos, a grama queima sob o sol e a corrida das seis da tarde vira um desafio, a crise climática deixa de ser abstração e entra na rotina de quem usa o parque como extensão de casa.