Guga Chacra defende a importância do jornalismo na cobertura de guerras

Guga Chacra em aula para estudantes de Jornalismo e Relações Internacionais na ESPM. Foto: Caroline Cardoso

Share
Guga Chacra em palestra para estudantes de professores de Jornalismo e Relações Internacionais, no Teatro ESPM. Foto: Caroline Cardoso

                               Helena Rosa, Mariana Silveira e Bárbara Reis (1º semestre)

O jornalista Guga Chacra, comentarista internacional da GloboNews e professor master de Jornalismo e Relações Internacionais da ESPM, defendeu nesta quinta (9) a importância do jornalismo, comentou as últimas notícias sobre a guerra entre Estados Unidos e o Irã e abordou os principais temas da cobertura internacional. Em uma palestra para alunos e professores da ESPM, o jornalista  abordou temas como polarização política pelo mundo, desinformação nas redes sociais, e a diversidade cultural em países do Oriente Médio, além de compartilhar suas experiências na profissão trabalhando desde Nova York.

“Não deixem que falem que vocês não vão conseguir ser jornalistas. Vocês vão, sim. Cada pessoa vai construindo a sua história, só não pode desistir no meio do caminho”, aconselhou o comentarista, ovacionado pelos professores e estudantes que assistiram sua  palestra no Teatro ESPM, mediada pelos coordenadores Guilherme Costa, de Jornalismo, e Alexandre Uehara, de Relações Internacionais. 

Guga Chacra entre os coordenadores Guilherme Costa (esq.) e Alexandre Uehara (dir.). Foto: Brayan Ferreira/CEM-ESPM

Especialista na cobertura e na análise de conflitos no Oriente Médio, Chacra comentou a fragilidade do acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, assinado nesta terça-feira (7), mas quebrado um dia depois, na quarta-feira (8), com um ataque de Israel ao Líbano. 

Em resposta a perguntas de estudantes, Guga comentou que o Irã não representa uma ameaça aos EUA, embora seja para Israel. Em sua análise, o jornalista destacou que sempre houve espaço para que os dois países pudessem conviver em paz, desde que com a supremacia norte-americana. Na visão do jornalista, que mora nos Estados Unidos, Trump não se sente ameaçado por outros países, exceto por grandes potências militares como a Rússia e a China.

O analista internacional também destacou a importância do jornalismo nas coberturas de guerras. Para Chacra, o repórter deve buscar a neutralidade e a defesa da paz, sem normalizar atos criminosos. Como exemplo, ele relembrou as coberturas de bombardeios em escolas civis no Oriente Médio, Para ele é inaceitável informar a morte dos estudantes e apoiar indiretamente o discurso do governo Trump de que não era possível atacar sem sacrificar vidas. 

Em entrevista exclusiva para o Portal de Jornalismo da ESPM, Guga explicou como as redes sociais impactaram a polarização política: “Hoje em dia as redes sociais polarizam de propósito. Elas levam as pessoas para bolhas e quando encontram alguém com uma visão diferente, geram um choque. Quanto mais radical o discurso, mais as pessoas ganham destaque com ele.”

Guga Chacra também participou de outro encontro com estudantes no mesmo teatro na quarta-feira (7) e deve ter encontros semestrais com os estudantes da ESPM.